O caminhoneiro Edcarlos Lima Paiva ainda não conseguiu processar tudo o que viveu na última segunda-feira (28). Ele é um dos sobreviventes do deslizamento de terra na BR-376 que pode ter deixado, pelo menos, 30 vítimas.
O caminhão de Edcarlos é um dos seis veículos (três carros e três caminhões) já resgatados do local. Na manhã desta quinta-feira (1º), ele esteve no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para retirar a carreta. Bastante emocionado, conversou com a imprensa e relatou como foi aquele dia.
O trabalhador mora em Limeira, no interior de São Paulo, e trabalha há 34 anos como caminhoneiro. Ele contou que vinha do Mato Grosso transportando uma carga de milho, que iria para Santa Catarina. Pra chegar mais cedo, nem o jogo do Brasil na Copa do Mundo ele parou para assistir.
“Nem o jogo eu assisti. Pensei: vou andar, porque o trânsito está mais calmo no jogo. E aí, desde lá de Ponta Grossa era chuva que Deus manda. Chegou ali, a concessionária acenando um pouco antes que estava parando. Pensei comigo: tem coisa ali”, afirmou.
Edcarlos detahou que, logo que o trânsito foi liberado, percebeu o ambiente um pouco estranho, mas jamais imaginou o que estaria por vir.
“Fluiu de novo o trânsito e aí eu parei ali no acontecido. Parei no lugar certo, na hora certa. Porque o lugar errado, na hora errada, era dez metros pra frente. Se eu estivesse dez metros para frente a terra teria engolido o caminhão”, destacou.
Com o impacto, o caminhão de Edcarlos, que descia a Serra do Mar, foi projetado e parou na pista sentido Curitiba. Dois carros estavam na frente da carreta e ele acredita que podem estar embaixo da lama.
“Tinha dois carros, porque estávamos descendo devagarzinho e eles na minha frente. Aí parou e depois não vi mais nada, só quis descer correndo do caminhão. Eu nem vi como foi, só sei que o caminhão parou do outro lado da pista”, lembrou.
Para o caminhoneiro, o dia 28 de novembro de 2022 será marcado como data o renascimento dele.
“Volto a frisar: estou aqui para contar a história. É uma provação de Deus. Essa data nunca mais se esquece. Isso marcou que nem uma tatuagem. Amanhã a Deus pertence. Agora é ver o que vamos fazer e vida que segue”, considerou.
