Por Elizangela Jubanski e Bruno Henrique

12dpSinclapol encabeça a campanha. Foto: Bh/Banda B

A quinta-feira (17) que seria de visita no 12º Distrito Policial (12°DP), no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, começou com movimentação intensa em frente à delegacia. Os pais dos presos estão revoltados por terem sido impedidos de entrar no local. O Sindicato dos Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) cumpriu a promessa de fechar o 12º DP para visitas e entregas por falta de segurança. De acordo com eles, houve alerta para uma possível rebelião, já que os policiais civis notificaram o delegado responsável que não trabalharão, como protesto pelo desvio de função e péssimas condições na carceragem superlotada. O espaço tem capacidade para 32 presos e abriga, hoje, 134.

O pai de um preso, que não será identificado, está na segunda visita. O filho foi detido há 35 dias depois de assaltar um posto de combustível. “Vou tentar entrar hoje, mas confesso que o lugar é horrível, o ambiente é um chiqueiro, superlotado, tem cheiro ruim, é tudo amontoado, a comida é azeda”, reclama o pai. Segundo ele, essas visitas são mesmo inseguras para todos.

12dp - dentroCartazes foram colados para explicar à população. Foto: Bh/Banda B

Ainda, segundo o pai, ele quer que o filho cumpra a pena pelo delito, mas pede dignidade. “Tá aí uma coisa que a gente não pode prever né? A gente daria tudo pra não ter um filho nessa situação, mas já que está aqui, agora temos que lutar por dignidade né? Esse é mesmo o lugar onde o filho chora e a mãe não vê”, finaliza.

Desde a semana passada a Banda B divulga a campanha feita no 12° DP, que reivindica o cumprimento da lei que proíbe os policiais de realizar a escolta e a guarda dos presos. “O preso tem direito de abraçar o pai, a mãe, o que acontece é que aqui não há a mínima estrutura física, nem de pessoal. Os policiais assinaram um termo e informaram que não vão fazer nenhum serviço que seja do sistema judiciário e, portanto, não trabalharão na visita. Temos risco de rebelião”, afirmou à Banda B o presidente do Sinclapol, André Gutierrez.

O presidente chegou a mencionar que essa situação é ‘um barril de pólvora que está prestes a explodir’. “Aqui no 12º e em outras delegacias de todo estado a campanha está se desenvolvendo e os policiais civis só vão cumprir as atribuições que lhes são previstas em lei”, diz o presidente.

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