A juíza Débora Cassiano Redmond concedeu liberdade provisória para o vigilante, Willian Soares, de 27 anos, em decisão publicada no final da tarde desta quinta-feira (30). A magistrada também acolheu o pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR) e decretou a prisão preventiva do empresário Danir Garbossa, cliente que recusou o uso da máscara dentro do hipermercado e deu início à confusão que culminou na morte de uma mulher.

(Foto: Reprodução)

No documento, Redmond afirma que a prisão preventiva no caso do vigilante não se justificaria, já que ele não tem antecedentes criminais e a princípio não teria tido a intenção de matar a fiscal de loja, Sandra Maria Aparecida Ribeiro, de 45 anos.

O pagamento da fiança de R$ 10 mil do vigilante foi homologado pela juíza e novas medidas cautelares foram definidas, como alternativa à prisão.

Medidas cautelares

Entre as medidas estão o comparecimento mensal em Juízo para informar e justificar atividades; proibição de se ausentar da Comarca, por prazo superior a 8 dias, sem autorização do Juízo; impossibilidade de mudança de endereço ou número de telefone sem prévia comunicação ao Juízo; suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente para que seja realizado o imediato recolhimento de todos os armamentos que estejam sob cuidado do indiciado; proibição de manter qualquer espécie de contato com vítima, testemunhas e seus familiares e a proibição de frequentar o hipermercado Condor, onde ocorreram os fatos.

Cliente

Sobre o mandado de prisão preventiva para Danir Garbossa, Redmond entende que o empresário mostrou “completo menosprezo com as regras básicas de convivência em sociedade”.

“Ora, estamos diante de uma pandemia que ceifou a vida de mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo (!!!) e, a despeito desta (trágica) realidade, o custodiado, de forma, (senão egoísta), colocou seus interesses pessoais a frente da saúde de todos os frequentadores do supermercado, em clara demonstração de que, acaso lhe convenha e seja de seu exclusivo interesse, facilmente descumprirá eventual medida cautelar alternativa à prisão.”, diz a juíza na decisão.

O advogado de Garbossa, Ygor Nasser Salmen, afirmou por meio de nota que a defesa prefere não se manifestar e acrescentou que acredita no Poder Judiciário. O empresário segue preso na Delegacia de Araucária.

A reportagem da Banda B tenta contato com o advogado do vigilante.

Caso

Danir Garbossa teria se recusado a colocar máscara para entrar no Hipermercado Condor, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, na tarde de terça-feira (28). Segundo testemunhas, o vigilante foi chamado para conter o cliente e na sequência um disparo aconteceu, momento em que a funcionária, Sandra Maria Aparecida Ribeiro, foi atingida e não resistiu aos ferimentos.

O vigilante Willian Soares, de 27 anos, foi preso em flagrante e autuado por homicídio culposo – onde não há dolo, ou seja, sem intenção de matar, e também por disparo de arma de fogo. Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Tiago Wladyka, o entendimento jurídico é de que Willian exerceu legítima defesa.

O cliente também foi preso em flagrante e segundo o delegado são várias as infrações e crimes que ele poderá responder durante a finalização do inquérito. “Ele será autuado por duas lesões corporais, contra o vigilante e a fiscal de loja, um dano qualificado, por ter destruído uma televisão, pela infração de normas do poder público e colocando em risco a saúde das pessoas. Houve injúria e perturbação do trabalho alheio, também”, explicou.