Um vigilante de banco muito conhecido em Laranjeiras do Sul foi o mentor do sequestro da filha do prefeito da cidade, Berto Silva. Ele e mais três pessoas envolvidas no crime foram presos na última quarta-feira (21), depois que a polícia descobriu que a médica, Tamires Gemelli da Silva Mignoni, estava em um cativeiro na cidade de Cantagalo. O sequestrador não tinha passagens pela polícia e moradores do munícipio paranaense ficaram surpresos ao saber que ele foi o responsável pela trama.

Tamires está em casa depois de quase uma semana em cativeiro (Foto: Facebook)

 

O delegado Cristiano Quintas, chefe do Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial), negou motivação política para o caso e falou sobre o perfil do sequestrador, que pegou a cidade de forma inesperada. “Houve ali no início, em razão da função do pai da vítima, uma suspeita de questão política, mas a intenção era mesmo de pegar dinheiro. Causou espanto porque o sequestrador era bem conhecido na cidade, todos sabiam quem era e até ficaram surpresos com isso. Apesar de ser um réu primário, ele teve atitudes que nos levam a crer que pode ter tido alguma instrução”, afirmou o delegado á Banda B.

Tamires Gemelli foi levada em Erechim (SC) por um casal de sequestradores. Primeiramente, ficou em um cativeiro na cidade de Concórdia (SC) e, depois, foi até um segundo cativeiro em Cantagalo (PR), onde a polícia localizou o mentor e uma mulher, que foram presos em flagrante. “Também foi preso um taxista que teve uma participação secundária. Na data de ontem, a esposa do vigilante também foi presa. A investigação não parou ainda, mas a princípio conseguimos identificar estas quatro pessoas”, explicou Quintas.

Delegado Cristiano Quintas, chefe do Grupo Tigre (Foto: Banda B)

 

Durante o crime foram utilizados dois veículos pelos sequestradores. “O primeiro era do próprio sequestrador. Começamos a investigar e chegamos a um segundo veículo que ele tinha alugado e as buscas seguiram neste sentido. Passamos a investigar e, felizmente, descobrimos que em um dos últimos contatos feito do suspeito com o pai da vítima foi na região de Cantagalo”, salientou.

Tamires foi encontrada em boas condições dentro do cativeiro, uma casa abandonada em Cantagalo. “Ela ficou amarrada e vendada em um corredor. Afirmou que tinha dificuldades para ir ao banheiro, mas não foi maltratada no cativeiro, o que é comum, porque o sequestrador trata a vítima bem para evitar que ela tente alguma fuga”, concluiu o delegado.