Um laudo pericial apontou que o policial militar Willian Roberto de Lima, de 39 anos, trafegava a 122 km/h no momento em que colidiu contra uma viatura descaracterizada da Polícia Penal, no dia 29 de agosto, na Linha Verde, em Curitiba. O acidente resultou na morte do soldado, que era lotado no Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) e seguia para o trabalho.

Willian, conhecido entre os colegas como soldado De Lima, morreu ainda no local devido à força do impacto.
Imagens obtidas com exclusividade pela Ric RECORD mostram o policial penal identificado como Adriano conduzindo a viatura pela canaleta exclusiva de ônibus, sentido Colombo, também a caminho do trabalho. Ao realizar a conversão, o veículo foi atingido pela motocicleta que vinha na pista contrária.
“Uma fatalidade”, diz defesa
O advogado do policial penal, Ygor Salmen, afirmou em entrevista ao repórter Ricardo Pereira, da Ric RECORD, que o caso deve ser tratado como uma tragédia envolvendo dois servidores públicos.
“Destacamos, inicialmente, que se trata de uma fatalidade. Duas famílias enlutadas, sofrendo com o ocorrido. Meu cliente, até o momento, não se recuperou. Passa por diversos atendimentos psiquiátricos”
afirmou o advogado.
De acordo com Salmen, o laudo reforça depoimentos colhidos durante a investigação sobre o excesso de velocidade da motocicleta.
“Esse laudo que mostra a velocidade da moto, 122 km/h, confirma aquilo que testemunhas já relataram no inquérito há bastante tempo. Meu cliente parou, passou no semáforo verde e fez a conversão. O que ele não imaginava é que a motocicleta descesse nessa velocidade, quase o dobro do permitido na via. Isso mostra que meu cliente não teve culpa, não teve dolo. Ao contrário, foi uma fatalidade, ele não deve ser responsabilizado por isso”
complementou Salmen.
A família do policial militar Willian de Lima rebateu, por meio de nota enviada à Banda B, os comentários sobre o acidente. Confira o comunicado na íntegra:
“A família do soldado Willian de Lima vem a público rebater os inúmeros comentários sobre o acidente. Primeiramente, reforçamos que, antes de um profissional exemplar que por anos se dedicou e foi reconhecido por tamanho compromisso, Willian era pai, marido, filho, irmão e amigo. Diferente da postura dos outros envolvidos no caso, nós compreendemos que cabe apenas a Justiça julgar as circunstâncias do acidente. Porém, o fato é: de um acidente, apenas uma mãe chorou pela morte do seu filho. Dizer que as duas famílias estão enlutadas é cruel, porque, mesmo que a Justiça seja feita, ela nunca trará Willian de volta. Condená-lo pelo seu compromisso com o trabalho sem levar em consideração as circunstâncias é uma atitude leviana. A defesa dele foi silenciada por uma conversão proibida. Agora, o que mais queremos é que a memória do Willian seja preservada já que a vida dele não foi”.