Um jovem que pichava comércios e muros de Curitiba foi preso em flagrante pela Guarda Municipal (GM) no bairro Mercês, em Curitiba, na madrugada da última segunda-feira (19). A ação foi possível após verificação das imagens das câmeras de segurança de um comércio, recém pichado por ele. O dono do estabelecimento viu a ação do pichador e acionou a Guarda Municipal. As equipes encontram o jovem andando de bicicleta pela região.

Em entrevista à Banda B, uma mulher, que não preferiu se identificar, revelou que também já foi vítima do pichador. “Há um ano, nós o pegamos nas câmeras do prédio. Foi na madrugada e ele estava acompanhado por uma moça junto com a bicicleta”, afirmou.

A vítima mora em um prédio localizado no Centro da capital. Segundo ela, o prédio possui mais de 50 anos de história e os transtornos que as pichações causam aos moradores são grandes. “Toda vez que alguém picha o prédio, temos que fazer a manutenção. Por se tratar de um prédio antigo, as reformas o deixam bonito. No entanto, isto gera gastros extras, apenas, com a pintura”, comentou.

O suspeito foi encaminhado pela Guarda Municipal de Curitiba para a Delegacia do Meio Ambiente.

A moradora do prédio afirma que além da prisão, os detidos, por cometerem este crime, devem custear toda a reforma pelo dano que causaram no patrimônio das vítimas. “Eu acho que deveria haver retorno financeiro às pessoas prejudicadas. Ele deveria pagar. Ele mesmo deveria pintar. Se for possível, com escolta policial. É uma pena que as leis aqui no Brasil sejam tão fracas para este tipo de vandalismo. Esta é a minha opinião”, opinou.

Por que pichar?

Junto com o detido, a Guarda Municipal encontrou imagens de outras ações que ele mesmo havia realizado em outros locais. Ele possuía o hábito de filmar as ações realizadas em muros e portas de estabelecimentos.

Este ponto leva a um debate que social complexo, presente em todo o contexto social. As pichações são casos que estão presentes até hoje na sociedade moderna. No entanto, o que leva alguém a realizar este tipo de ação?

Também em entrevista à Banda B, o psicólogo Pedro Braga Carneiro, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná disse que isto é uma necessidade de visibilidade compreensível.

“Eu entendo que a pichação evidencia uma necessidade de visibilidade. O que é completamente compreensível. Isto é do ser humano. A gente quer, de alguma forma, ser visto. Ser lembrado e fazer a diferença nos espaços que ocupamos”, apontou.

O psicólogo aproveitou o momento para pedir mais oportunidades para os jovens. Ele acredita que isto pode ser uma saída para fornecer a estes desconhecidos, melhores oportunidades para se sentirem incluídas na sociedade em geral.

“É interessante é a gente pensar este movimento da pichação e do grafite dentro de um contexto social. Eu não estou fazendo o recorte de classe social. Mas, que outras oportunidades possam ser dadas as pessoas em geral, e assim, que elas se sintam vistas, lembradas. E possam ter seus trabalhos expostos”, concluiu.