A Polícia Civil divulgou, nesta segunda-feira (21), imagens (veja abaixo) do momento em que a funcionária do bar The Oak Winter and Beer pega o galão de álcool para acender a lareira da mesa onde estava Leonardo Matheus Janeri Barbosa, morto após ter o corpo carbonizado na noite de 4 de novembro. O médico de 24 anos se confraternizava com amigos no estabelecimento, que fica no Centro de Curitiba, quando foi atingido pelas chamas. No vídeo, é possível ver a reação de outros clientes que estavam no estabelecimento. De acordo com a delegada Tathiana Guzella, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a auxiliar de limpeza do bar não possuía treinamento para exercer esta função. Ela foi indiciada por homicídio culposo por imprudência.

 

Momento que a funcionária do bar pega o galão de cinco litros. Foto: Reprodução

 

“Quem realizava esta ação [de acender a lareira], era quem exercia a função de garçom. A investigada, no entanto, era auxiliar de limpeza. Inclusive, naquela mesma noite, os garçons já tinham realizado o ligamento das mesas de uma forma correta, usando o palito e um compartimento menor, mas, jamais com outra lareira acesa. Ela já tinha visto o pessoal reabastecer outras vezes, mas sempre em uma jarra menor. Porém, ela não tomou este cuidado. Ela visualizava que aquele liquido iria naquela lareira. Só que ela não se ateve aos detalhes do reabastecimento”, explicou à Banda B.

Ainda de acordo com a delegada, a funcionária demonstrou proatividade naquele dia. Isto porque a equipe estava desfalcada de um garçom que apresentou febre quando chegou para trabalhar por volta das 18h. A gerente do estabelecimento, por precaução, mandou o garçom para casa. “Ela buscou atender e exercer algumas funções que não seriam dela. Nas imagens é possível ver que ela busca o galão de cinco litros e vai direto as mesas. Aqui, a investigada comentou que não exercia a função de reabastecimento das mesas e isto foi corroborado pelas demais testemunhas”, pontuou.

Bar

Segundo a delegada, os investigadores também buscaram entender porque ninguém impediu a mulher de realizar a ação. Guzella, no entanto, afirmou que tudo foi rápido.

“Nós procuramos ver se alguém teria instruído ou visualizado a auxiliar de limpeza fazer este reabastecimento. Porque, se alguém da casa viu um galão de cinco litros sendo usado para reabastecer uma mesa, é óbvio que eles deveriam ter a impedido. No entanto, não tem ninguém nas proximidades dela. Um está atendendo uma mesa, a gerente está dentro de um outro ambiente e o outro está no caixa. Foi muito rápido. Ela fez um percurso direto e muitas vezes ampliamos estas imagens para verificar se alguém tinha visto, mas não localizamos ninguém”, completou.

Ao ser questionada sobre possíveis penalizações para outros funcionários do estabelecimento, a delegada ressaltou que a DHPP apenas tem o poder de aplicar a responsabilidade penal no caso. Guzella ainda citou que o Corpo de Bombeiros informou a regularidade do mapeamento e dos equipamentos de segurança que poderiam ser usados no local.

“Quando nós falamos em responsabilidade, nós vamos entrar em esferas diferentes. Responsabilidade civil ou administrativa não é pela DHPP. A Divisão de Homicídios só investiga a responsabilidade penal. Agora, este inquérito policial vai para o Ministério Público que pode, ou não, pensar diferente. O caso será revisto por vários outros órgãos independentes da Polícia Civil”, explicou.

“A função da estrangeira era a limpeza. Ela era auxiliar de limpeza e estava devidamente registrada, mas também, regularizada no país. Não há dúvidas de que foi um acidente trágico, mas a Polícia sempre é pautada por provas. Nesta investigação buscou-se, em especial, verificar se esta penalização poderia alcançar os próprios donos do local, através desta regularidade documental. Mas comprovou-se com a declaração do Corpo de Bombeiros, que a empresa estava com a regularidade confirmada”, completou Guzella.

Funcionária

Durante as investigações realizadas pela DHPP, várias testemunhas prestaram depoimento aos investigadores. O Corpo de Bombeiros também confirmou a regularidade dos equipamentos usados no local. Diante das informações obtidas, a delegada afirmou que houve uma falha humana. “Uma vez que a estrangeira foi imprudente no manuseio do galão de cinco litros na hora de repor o líquido em uma das lareiras. Ela não tomou cuidados que o próprio fabricante havia informado para reabastecer com uma quantia pequena do próprio galão”, detalhou.

A auxiliar de limpeza é venezuelana e formada em Enfermagem no país de origem. Após a conclusão do caso, ela foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio culposo por imprudência.

“Temos que levar em conta as provas objetivas da investigação. Neste sentido, temos uma pessoa que é formada em Enfermagem no país de origem, a Venezuela, com 14 anos de atuação. Mas ela foi proativa, no sentido de auxiliar os garçons, tudo porque, naquele dia, um garçom havia chego ao trabalho, por volta das 18h, apresentando febre. Chegou-se a pensar que houve uma imperícia por parte dela. Mas, como ela não é especialista em inflamáveis, nós optamos pela modalidade de imprudência”, concluiu a delegada.

O caso

Na ocasião, Barbosa estava na companhia de amigos no bar, que possui lareiras a álcool nas mesas. Umas das lareiras apagou e uma funcionária – que não era responsável pela função – foi acender e acabou derramando na mesa. O líquido inflamável juntou com outra lareira já acesa e causou um incêndio atingido o médico e outro colega. Os dois foram socorridos e encaminhados ao hospital.

A Polícia Civil encerrou as investigações nesta segunda-feira (21).

Vídeo

Veja o vídeo divulgado pela Polícia Civil abaixo.