A Banda B teve acesso ao vídeo que mostra o momento em que uma jovem entra em luta corporal com um rapaz após ser ofendida por ele, em um posto de combustíveis, no bairro Santa Cândida, em Curitiba (assista abaixo). Na ocasião, ela parou para abastecer o carro, junto com a namorada, quando as duas começaram a ser assediadas verbalmente por um homem, com palavras como “gostosinha” e “essa ali parece um travesti”.

“Ele chega e começa nos assediar, começa a mexer com a gente. Me chamou de travesti, que eu era uma coisa horrorosa, fiquei indignada, não acreditava que aquilo estava acontecendo. E seu eu fosse um travesti? Que mal teria nisso? Só porque é um travesti ele acha que pode bater. Isso não é normal, esse cara é um marginal, tem que pagar pelo que fez, tem que ser preso”, disse a vítima, que não será identificada, em entrevista á Banda B, na manhã desta quarta-feira (19).

O agressor acertou o olho da jovem com uma chave (Foto: Antônio Nascimento/Banda B)

 

A situação ocorreu no último domingo (16), quando a jovem havia saído da casa da mãe e seguia para o cemitério, então parou no posto para abastecer. Ao se sentir desconfortável com a situação, ela desceu do carro e foi tentar conversar com o homem.

“Eu paguei o rapaz do posto e tentei sair, nisso ele entrou na frente do meu carro. Assustada, eu desci para ver o que estava acontecendo, então ele já veio para cima. Empurrei ele e então começaram as agressões. Ele não parava de me bater, me dava chute e soco’, descreveu.

Segundo a vítima, um pedestre que estava do outro lado da rua, ao perceber o que estava acontecendo, foi a única pessoa que ajudou as jovens e tentou acabar com a confusão. “A pessoa nos ajudou e foi para cima dele. Então, ele entrou dentro do carro e, não contente, parou na frente do meu carro e deu chute e soco no veículo. Depois, pegou uma chave de fenda e começou a riscar e furar o meu carro”, relatou.

O vídeo mostra a jovem, de 26 anos, também agredindo o rapaz, de 24. Ela, que faz artes marciais, alegou que agiu por instinto ao entrar em luta corporal com o agressor. “Meu instinto foi de me defender, em nenhum momento tive a intenção de fazer mal algum”, contou. “Não me arrependo. Não sou lutadora profissional, treino por estética, por questões de defesa mesmo. Acho que toda mulher teria que fazer isso. Se eu não fizesse artes marciais, ele poderia ter feito bem pior”, acrescentou.

Reprodução

Com a situação, a jovem revelou que se sentiu vítima de homofobia e que, antes da entrevista da tia concedida à Banda B, ela estava com muito medo. “Mas hoje estou de cabeça erguida, quero representar as mulheres. Ele foi homofóbico. Tenho relação com uma mulher e me senti vítima disso”, completou.

Segundo a tia da vítima, um sobrinho dela divulgou a situação em um grupo de aplicativo de mensagens, então um áudio do suposto agressor contando que bateu na jovem chegou até eles. “É ele confessando, contando aos amigos que bateu nela”, disse. Clique aqui para ouvir.

Polícia Civil

O delegado Gutemberg Ribeiro, do 4º Distrito Policial, explicou que a situação pode caracterizar crimes de injúria e lesões corporais, mas ainda está sendo investigado.

“No vídeo, vemos com clareza em que a pessoa passa a ofender essas jovens – ainda temos que descobrir se foi ofensas por questão de gênero ou de homofobia – e depois ela [a vítima] passa a defender sua integridade física”, disse o delegado.

O jovem foi identificado e irá prestar depoimento nesta quinta-feira (20).

Assista ao vídeo no player abaixo: