Veja passo a passo de advogado apontado como homem que deixou bomba em terminal de ônibus de Curitiba

Polícia divulgou imagens do trajeto do suspeito, que foi preso nesta segunda-feira (12) no bairro Ahú

Guilherme Lara da Rosa

Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que o advogado de 28 anos, preso nesta segunda-feira (12), abandonou uma sacola com explosivo no Terminal Boqueirão, em Curitiba, no dia 31 de março (assista abaixo). As imagens detalham passo a passo da movimentação do suspeito até a plataforma do Ligeirão, onde ele deixa o objeto com um aviso de “risco de explosão!”.

Às 5h49, o suspeito é visto caminhando tranquilamente por uma rua em um bairro de Curitiba. Cerca de três minutos depois, ele aparece embarcando em um ônibus — usando luvas, máscara, capuz, óculos e possivelmente uma peruca — e conversando com o motorista. “Sabe dizer que horas é o próximo?”, questiona o suspeito. “Piá, daqui uns 15 minutos”, responde o motorista.

Suspeito foi flagrado circulando pelo terminal antes de abandonar bomba em sacola – Foto: Reprodução/Câmera de segurança

O homem é o último a embarcar no ônibus e carrega duas sacolas: uma preta e outra vermelha, esta última com o logotipo de uma conhecida rede de lojas de departamento. Ao entrar, utiliza um cartão-transporte da Urbs para passar pela catraca e permanece em pé por alguns instantes. Logo depois, escolhe um assento voltado de costas para o motorista.

Durante o trajeto, o advogado muda de assento e manuseia as duas sacolas com frequência. Às 6h18 — exatos 16 minutos após o embarque —, ele é flagrado deixando o ônibus e circulando pelas dependências do Terminal Boqueirão. Dez minutos depois, às 6h28, ele se aproxima da plataforma do Ligeirão e posiciona as sacolas sobre uma escada. Enquanto permanece no local, observa o movimento e caminha de um lado para o outro, aparentemente analisando a rotina de embarque.

Às 6h37, o advogado se ajoelha no chão e deixa a sacola preta próxima à escada, em meio a dezenas de passageiros. Algumas pessoas chegam a notar o objeto, enquanto o suspeito se afasta rapidamente do local. A bomba foi descoberta por uma vigilante do terminal, que notou uma sacola liberando fumaça e acionou a polícia, como mostrou a Banda B à época. 

“O local escolhido pelo criminoso era uma plataforma movimentada, aumentando o potencial risco de vítimas caso a bomba tivesse explodido. O Esquadrão Antibombas do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da PMPR confirmou o risco e realizou uma explosão controlada”, afirmou a Polícia Civil.

Advogado é preso em Curitiba

O advogado foi preso nesta segunda-feira (12) sob a suspeita de abandonar e tentar detonar a bomba no Terminal do Boqueirão. O investigado foi localizado no bairro Ahú, após uma operação conjunta das polícias Civil e Militar. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. Ele não teve a identidade revelada.

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As investigações conduzidas pela Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (DEAM) apontaram fortes indícios de que o advogados seria o autor do crime. Segundo o delegado Adriano Chohfi, responsável pelo caso, “as provas reunidas demonstram a complexidade e o planejamento do crime, que colocou em risco a vida de dezenas de pessoas. A atuação rápida e integrada das forças de segurança foi fundamental para a identificação do suspeito”.

O suspeito é investigado por tentativa de explosão e por colocar em risco a vida e a integridade de pessoas em local de grande circulação.

Com o explosivo foram encontrados papéis com mensagens como “abaixo generais golpistas”, “morte aos fascistas”, “viva o maoísmo” e “viva a guerra popular”. O maoísmo é corrente ideológica inspirada nos princípios revolucionários do líder chinês Mao Tsé-Tung, que defendem a luta armada como meio para alcançar a transformação social.

Planejamento do crime

Para impedir que fosse identificado, o suspeito utilizou um cartão avulso de transporte coletivo, cuja investigação posterior permitiu localizá-lo. Com o auxílio da Urbs (Urbanização de Curitiba) e da Guarda Municipal, os policiais ligaram o suspeito ao crime, inclusive pela descoberta de uma máscara descartada na casa utilizada por ele no bairro Ganchinho, com as mesmas características da usada no terminal.

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2/6 Área do Terminal Boqueirão, em Curitiba, foi isolada após suspeita de explosivo — Foto: Reprodução/Rede sociais
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“A casa mencionada possui forte ligação com o investigado, tendo ele sido visto entrando e saindo do local em diferentes ocasiões, o que leva a crer que o crime pode ter sido planejado ali. Segundo a apuração, o suspeito arquitetou o plano utilizando disfarces, trocas de roupas e rotas alternativas para tentar escapar da identificação pela polícia”, disse a polícia.

Durante as investigações, policiais também analisaram imagens de estabelecimentos comerciais próximos, identificando o uso de transporte público e veículo particular pelo suspeito. Esses elementos levaram à identificação completa do investigado e ao seu endereço no bairro Ahú, distante do local do crime.

Além da prisão preventiva contra o advogado, as investigações identificaram a residência no bairro Ganchinho como possível base para reuniões ou apoio de outros envolvidos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha o cumprimento dos mandados.

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