Um idoso de 70 anos que trabalha como vendedor de algodão-doce foi preso em flagrante no parquinho do Ginásio de Esportes Ciro Nardi, em Cascavel, após filmar duas crianças sem autorização. A polícia foi acionada ao local pelos pais das vítimas.

Segundo informações do portal CGN, parceiro da Banda B, o caso aconteceu na tarde do último domingo (25). De acordo com o pai das vítimas, um menino de três anos e uma garota de dois, a esposa logo estranhou atitudes e olhares do vendedor. Pouco minutos após chegarem, a mulher reparou que o suspeito estava com o celular apontado para a menina e o questionou.
Entretanto, o idoso negou que estava filmando as crianças, e começou a gritar com a mulher. Quando a mãe das crianças ameaçou chamar a polícia, ele afirmou que registraria um boletim de ocorrência contra ela.
Imediatamente, o ambulante começou a tentar apagar os vídeos do celular, mas foi flagrado pela mulher. De acordo com testemunhas, os arquivos no celular também continham imagens de outras crianças.
A Polícia Militar do Paraná (PMPR) foi acionada ao local e deteve o vendedor de algodão-doce. Ao verificarem os antecedentes do suspeitos, os policiais encontraram registros antigos de comportamentos inadequados, incluindo um episódio em que o idoso teria abordado uma adolescente em um ônibus.
Veja o vídeo:
Após prisão de vendedor de algodão-doce, vítima relata abusos na adolescência
Ao saber que o idoso foi preso, uma mulher de 32 anos procurou a CGN para contar sobre os traumas que passou com o suspeito. Moradora de Curitiba, a vítima relatou que viveu em uma Casa Lar em Cascavel entre os 13 e 15 anos, onde era cuidada pelo idoso e a esposa. Lá, ela sofreu abusos sexuais e psicológicos.

“Lá começou a se desenvolver essas situações de abusos, camuflados dentro do próprio lar. Abusos não só comigo, mas com outras meninas. Nós éramos forçadas a dar beijo nele, a sentar no colo dele, porque a esposa dizia que tínhamos que respeitá-lo como pai. Ele espionava as meninas trocando de roupa, observava a gente dormindo e praticava atos de masturbação olhando as meninas dormir nos seus devidos quartos”, relatou.
Em certo momento, a vítima conseguiu provas concretas do abusos, incluindo uma peça de roupa com sêmen do agressor. Entretanto, ao pedir ajuda à direção da escola em que estudava, os responsáveis “sumiram” com as provas. De acordo com a mulher, ela foi acusada de querer “destruir a família tradicional”. Por isso, ela foi transferida do local.
Atualmente, a mulher é empresária, casada e mora em Curitiba. Ela agradeceu à prisão do vendedor de algodão-doce, e espera que os crimes que ele cometeu anos atrás sejam punidos.
“Essa é a grande oportunidade que nós e as minhas irmãs afetivas vamos nos unir e vamos levantar sim essa bandeira de defesa por todas as crianças, por nós e por todas as crianças que passaram por esse abuso”, concluiu.