O Tribunal do Júri de Curitiba condenou, nesta terça-feira (13), dois dos responsáveis pela morte de Cesar Roberto da Silva Filho, de 24 anos, assassinado a facadas na frente de um bar, no bairro São Francisco, no ano de 2013. Everton de Oliveira de Matos e Yngwie Hendrix Xavier Pereira, que respondiam o processo em liberdade, foram condenados a 23 e 18 anos de prisão, respectivamente, com agravantes por motivo torpe e recurso que dificultou a chance de defesa da vítima.

César morreu em março de 2013, após ser atacado na frente de um bar. (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo entendimento dos jurados, ambos são culpados pelo crimes de homicídio duplamente qualificado, enquanto Everton de Matos ainda foi condenado por corrupção de menores. Além deles, outros três suspeitos foram identificados pela polícia com a ajuda de imagens de câmeras de segurança no local, mas apenas a dupla foi incriminada. Já o homem acusado de ter golpeado César com uma facada no pescoço, Waly Ibrahim, está foragido da Justiça.

O advogado da família, Edson Facchi Junior, salientou a importância do resultado do Júri para a família da vítima. “O processo vem sendo instruído há seis anos e hoje podemos dizer que, mesmo que a condenação não traga o Cesar de volta, a família sai daqui com um pouco de lágrima recolhida”, afirmou em entrevista à Banda B após a leitura da sentença.

Muito emocionada, a prima de Cesar, Sabrina Porath, disse que sairia do tribunal com a ‘cabeça erguida’. “A Justiça está sendo feita. Agora nós teremos um pouco de paz e conforto e a família poderá andar de cabeça erguida porque parte das pessoas que fizeram isso vão cumprir”, explicou à reportagem.

Porath e o advogado da família esperam agora que o próximo passo seja a captura do autor das facadas que, desde o começo do processo, está foragido. “”O estado deverá sim ir atrás do autor da facada, que é um dos assassinos do Cesar Filho. Esperamos que ele também seja julgado o mais rápido possível”, disse Facchi Júnior.

Do outro lado, o advogado de defesa, Heitor Bender lamentou a decisão do tribunal, enquanto um dos seus clientes foi preso preventivamente e o outro poderá recorrer em liberdade. “Esse não foi o resultado esperado, pois a defesa sustentou a tese de negativa de autoria, pois o real executor foi Waly Abrahim, que está foragido desde o início do processo, enquanto os réus estiveram a disposição da justiça a todo tempo”, contou em entrevista.

Bender revela que a defesa fará os atos necessários para que o Everton seja colocado a liberdade já nesta quarta-feira (13). “Em nossa opinião, a decisão dos jurados é contrária as provas dos autos, pois os rapazes não participaram do crime, e imagens de segurança e testemunhas comprovam isso”, analisou.

O defensor dos condenados ainda ressaltou que, segundo a visão da defesa, a morte de Cesar não foi motivada pelo crime de ódio. “O Yngwie nunca participou de grupo de skinheads. De outro lado, o Everton admitiu que já fez parte na adolescência, mas hoje ele é um pai de família dedicado e não possui vínculo nenhum com essas organizações”.

A defesa pedirá, além da diminuição da pena, a anulação do julgamento.

O crime

As investigações apontaram que César, que afirmava ser punk, teria sido atacado por um grupo de skinheads após um tumulto, na esquina das ruas Trajano Reis e Inácio Lustosa. Segundo o advogado da família de César, Edson Facchi Junior, imagens das câmeras mostraram que a vítima não foi agredida apenas por uma pessoa.

“Além das imagens, testemunhas dizem que todos investiram e encurralaram César, para que um deles desse a facada. Sobre o autor do golpe que tirou a vida dele, não há ninguém que de conta do paradeiro de Waly, nem o pai dele, que foi ouvido na delegacia, sabe alguma informação”, explicou o advogado em entrevista à Banda B.