O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) afirmou que vai apurar a demora para analisar o pedido de prisão preventiva da Polícia Civil contra Vagner do Prado, suspeito de matar três pessoas em um intervalo de dez dias.

A solicitação da Delegacia da Mulher foi feita no dia 7, um dia depois do acusado ter matado a facadas a própria companheira. No entanto, o pedido não havia sido avaliado pela Justiça até esta quinta-feira (20). Gislaine Alves Costa, de 31 anos, teria sido assassinada por Vagner durante uma discussão por causa de um documento de identificação dele.

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O suspeito Vagner do Prado, de 41 anos, que está preso preventivamente por dois homicídios – Foto: Reprodução

Vagner, de 41 anos, está preso preventivamente por envolvimento em dois homicídios praticados no dia 16, ou seja, o crime de feminicídio não foi considerado para prendê-lo. A reportagem fez os seguintes questionamentos ao Tribunal de Justiça:

  • Quais são os critérios para a Justiça deferir um pedido de prisão preventiva?
  • Por que o TJ-PR ainda não havia deferido a solicitação contra Vagner do Prado até esta quarta-feira (19)?
  • Quanto tempo, em média, a Justiça leva para analisar um pedido como esse feito pela Polícia Civil?

Em nota, o tribunal afirmou à Banda B que “não emite nota sobre processos em curso ou decisões judiciais”, mas destacou que “o fato será apurado internamente e medidas serão adotadas”.

O órgão, no entanto, não respondeu às perguntas feitas sobre os critérios e prazo para analisar a solicitação da Polícia Civil. Segundo o Código de Processo Penal, a prisão preventiva “poderá ser decretada como garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei”.

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, a delegada Camila Cecconello reforçou que a solicitação da Delegacia da Mulher ainda não havia sido analisada pelo Poder Judiciário.

“Ele tem antecedentes por organização criminosa, tráfico de drogas, três roubos e homicídio. Estava em monitoração eletrônica porque havia sido concedida a liberdade provisória por um crime de roubo. Ele estava usando tornozeleira eletrônica desde novembro”, acrescentou a delegada.

A prisão preventiva do suspeito foi pedida nove dias antes de ele matar Mateus Leonardo Adão, na Praça Rui Barbosa, e Oziel Branques dos Santos, dentro de um ônibus.

Os crimes

O primeiro ataque com golpes de faca aconteceu no dia 6, quando Vagner teria assassinado a própria esposa durante uma discussão por causa de um documento de identificação. A vítima teria se recusado a entregar um RG ao marido e foi morta em seguida.

Após o crime, o suspeito fugiu em direção à Praça Rui Barbosa. “Ele desferiu uma facada no pescoço da companheira. Infelizmente, ela levou uma facada na jugular e não demorou muito para que morresse”, disse o agente da Guarda Municipal (GM) Filgueira naquele dia.

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Vagner do Prado teria assassinado a própria companheira com golpes de faca no dia 6 – Foto: Banda B

Dez dias após matar a esposa e fugir em direção à Praça Rui Barbosa, na região central de Curitiba, o suspeito teria assassinado a facadas o jovem Mateus Leonardo Adão, de 24 anos.

A Polícia Militar (PM) informou que Matheus foi encontrado gravemente ferido após o ataque e chegou a ser socorrido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. “A equipe se deslocou até o local e se deparou com a vítima toda ensanguentada e desacordada no chão. Tinha muitas marcas de facada nas costas, no peito e braços”, disse o soldado Bazzani.

Minutos após fugir da Praça Rui Barbosa, Vagner entrou em um ônibus biarticulado da linha Santa Cândida/Capão Raso, no bairro Alto da Glória, em Curitiba, e assassinou a facadas Oziel Branques dos Santos, de 40 anos. A vítima teria sido atacada ao defender um casal de insultos transfóbicos.

O crime aconteceu próximo à estação-tubo Maria Clara, na Avenida João Gualberto. O registro da ocorrência feito pela Polícia Militar mostra que uma equipe foi acionada para atender ao caso às 22h06 de domingo (16), ou seja, uma hora e nove minutos após Mateus Leonardo Adão ser morto.

Os assassinatos na Praça Rui Barbosa e dentro do ônibus teriam sido cometidos por Vagner e o sobrinho, um adolescente de 17 anos. O homem teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva por decisão da Justiça nesta terça-feira (18). O adolescente foi internado provisoriamente.

Oziel morreu após defender Jean Carlos de Oliveira e Camila Marçal Dias, ambos de 18 anos, de insultos homofóbicos e transfóbicos. Antes, Vagner teria perseguido o casal e proferido xingamentos. O sobrinho de Vagner é apontado como o responsável por esfaquear o autônomo até a morte.

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Tribunal de Justiça vai apurar demora na análise de pedido de prisão de suspeito de matar homem em ônibus

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