Torcedores do Athletico que estavam com Leandro Souza, morto na noite de quinta-feira (12) no Boqueirão, contestam a versão de que ele estaria envolvido em confronto com a Polícia Militar. Duas testemunhas afirmam que o grupo deixava o jogo do Athletico de forma tranquila e que a situação estava controlada até a chegada de uma equipe das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM).

De acordo com um dos torcedores, que estava com Leandro, o grupo seguia em direção à região sul de Curitiba após a partida. Eles desceram do ônibus no Terminal do Carmo, onde já havia viaturas da PM. Como o destino final não era distante, decidiram fazer parte do trajeto a pé e, em determinado ponto, cada um seguiria para própria casa.
Segundo ele, a própria Polícia Militar orientou os torcedores e realizou a escolta pelas ruas. Entre as recomendações, estava a determinação para que todos caminhassem pela calçada, orientação que, conforme o relato, foi cumprida. O cenário teria mudado com a chegada da ROTAM.
“Até que chegou a ROTAM. Como eles sempre dizem que a parada é diferente. No momento em que eles chegaram, falaram: ‘Agora a brincadeira vai começar’ e botaram a gente pra correr”
afirmou.
A partir daí, segundo o torcedor, começou a correria. Parte do grupo entrou na primeira rua à direita, enquanto ele seguiu reto na via. Cansado e tentando se proteger de disparos de bala de borracha e bombas, a testemunha pulou o muro de uma residência, onde estava Leandro.
Ainda conforme o relato, os dois permaneceram na casa por menos de dez minutos. Ao deixarem o local, pediram ajuda a trabalhadores de um caminhão de lixo que passava pela via, mas, segundo ele, os funcionários teriam indicado a localização aos policiais.
“Quando a gente pulou o muro, já do lado de fora, eu corri para um lado e ele, pelo que entendi, tentou voltar para a casa onde a gente estava. No momento em que ele voltou, certamente a polícia disparou contra ele”
declarou.
Para o torcedor, a morte de Leandro representa “mais uma covardia da Polícia Militar do Estado do Paraná“. Ele sustenta que a vítima foi morta “sem motivo algum“.
Outra testemunha nega confronto de torcedor
Uma segunda testemunha confirmou a versão de correria e fuga da PM. Segundo ela, o grupo estava dentro do ônibus e desceu no Terminal do Carmo de forma tranquila, sob escolta de uma viatura. Durante o trajeto, porém, a abordagem teria se tornado mais agressiva.
“A polícia já chegou coagindo a galera, soltando bomba, batendo com cacetete, dando tiro de borracha. Para se abrigar e não apanhar, muitos pularam em casas para procurar abrigo. Foi nesse momento que aconteceu o fato com o menino Souza, alvejado dentro da casa”
disse.
A testemunha também rebateu informações de que Leandro estaria armado ou utilizando colete. “Falaram que ele estava armado e com colete, mas nada disso é verdade. Todos os torcedores do Athletico estavam fazendo o trajeto de volta para casa. Não houve confronto, briga ou arruaça“, garantiu.
Segundo ele, Leandro trabalhava das 7h às 19h e tinha como hobby frequentar os jogos e acompanhar o time, inclusive em viagens para assistir aos jogos do Athletico.
Para os torcedores, houve excesso na ação policial. “Coagiu muito sem necessidade nenhuma. Diversas pessoas pularam em casas para se proteger, não para roubar. Não é a primeira vez que isso acontece“, afirmou uma das testemunhas.
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O que diz a Polícia Militar
Em nota enviada à Banda B, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) informou que, durante atendimento a uma ocorrência de violação de domicílio, o suspeito foi localizado dentro do terreno. “Na tentativa de abordagem, houve resistência com arma de fogo, a qual exigiu a neutralização por
parte dos Militares Estaduais“, disse a corporação.
A arma de fogo que estava em posse do indivíduo foi apreendida e encaminhada à Central de Flagrantes. A Polícia Militar do Paraná, como parte de seu protocolo para situações dessa natureza, determinou a instauração de procedimento para apurar todas as circunstâncias que envolveram a ocorrência.
complementou a Polícia Militar, em nota enviada à Banda B.