A sensação de medo já faz parte da rotina de quem frequenta um terreiro no bairro Abranches, em Curitiba. Segundo os responsáveis pelo espaço religioso, o local foi alvo de 12 visitas policiais em 2025 e outras seis somente neste ano, incluindo uma operação da AIFU (Ação Integrada de Fiscalização Urbana). Para os frequentadores, as ações seriam motivadas por intolerância religiosa.

A dirigente espiritual Talissa Carvalho relata que os episódios têm causado trauma entre médiuns e visitantes. “Já inicio a nossa gira com medo, porque eu sei que em algum momento a porta vai abrir e vai entrar alguém pedindo para a gente parar”, afirmou, em entrevista ao repórter Leonardo Gomes, da Ric RECORD.
Na abordagem mais recente, segundo ela, 11 médiuns participavam de uma gira em uma noite chuvosa, além de dez convidados, quando policiais militares interromperam o culto. “Foi bem violento. O PM abriu a porta bruscamente e mandou todos saírem. Depois olham os documentos e vão embora. Mas e o medo? Tem gente que deixou de vir aqui por causa disso. A gente só está aqui rezando”, desabafou.
Dirigente afirma que terreiro está com a documentação em dia em Curitiba
O terreiro funciona há dois anos no Abranches. Os dirigentes afirmam que possuem todas as autorizações necessárias para funcionamento, mas alegam que o espaço segue sendo alvo constante de denúncias. Uma das suspeitas é de que as reclamações partam de uma vizinha.

Talissa questiona o tratamento dado ao terreiro em comparação a outros espaços religiosos da região. “Ao lado da casa dela tem uma igreja evangélica que faz bastante barulho e eu não vejo chegarem policiais por ali. Por que só o tambor é alvo?”, disse.
Apesar das reclamações, os responsáveis afirmam que evitam registrar boletins de ocorrência por medo de represálias.
Em nota à Ric RECORD, a Polícia Militar informou que a fiscalização ocorreu após solicitações da comunidade por uma suposta perturbação de sossego durante um culto religioso. Ainda segundo a PM, nenhuma irregularidade foi constatada, mas os responsáveis foram orientados sobre os limites de ruídos previstos em lei.
Terreiros foram alvos de ataques nos últimos dias na Grande Curitiba
Os relatos de intolerância religiosa têm se tornado cada vez mais frequentes em Curitiba. Em abril deste ano, um terreiro no Bairro Alto foi alvo de um ataque com um líquido semelhante a ácido. Dez pessoas ficaram feridas.
Ainda no mês passado, um terreiro localizado em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, também foi alvo de um ataque. Na ocasião, objetos foram quebrados, incluindo itens sagrados, e até fechaduras foram trocadas.
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