Ruan dos Santos Martins, suspeito de matar a adolescente grávida Isabele Raiane Bonfim, enviou um áudio ao advogado em que fala sobre o crime, admite ser o dono da arma usada e relata um suposto triângulo amoroso com a companheira e a cunhada. O crime aconteceu no último dia 6, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, e Ruan ainda não foi localizado.
A gravação, obtida pela RICtv, foi enviada por Ruan após o crime. No áudio, ele afirma que estava com a companheira, identificada como Isa, e com a cunhada momentos antes do episódio. Ele diz que a relação com as duas era conturbada. A jovem estava no oitavo mês de gestação, e o bebê também não resistiu.
“Na noite de quinta-feira, eu tava na casa da minha sogra e subi pra casa. Tinha uma janta lá e fiquei. A Isa, minha companheira, não quis ficar. Subiu pra casa. Minha cunhada morava comigo, tava morando junto. Na verdade, eu tava meio envolvido com a minha cunhada também. A Isa [inaudível] manda uma caixinha de música. Nisso, tá bom. Minha cunhada pegou a caixinha, desceu junto com nós lá, que era um bar também a casa da minha sogra. Eu subi pra casa primeiro, mas nessa subida eu fui bater um cadeado na frente da fazenda… Que o senhor viu a fazenda que eu cuidava. No vídeo, lá tem. Quando eu vi, escutei o tiro do revólver”, iniciou Ruan dos Santos, em áudio enviado ao advogado Rogério Nogueira.
Segundo o relato, Isabele não teria aceitado o envolvimento dele com a irmã e, por ciúmes, teria tirado a própria vida. O suspeito também afirma que encontrou a companheira ensanguentada e que a arma era dele, mas nega ter atirado.
Na mensagem, ele ainda diz que fugiu do local por medo de ser responsabilizado, já que tinha problemas anteriores com a Justiça. Ruan também acusa a sogra de esconder a cunhada, que, segundo ele, estava suja de sangue no momento em que foi vista pela última vez.
“Eu corri. Quando cheguei, minha cunhada tava toda ensanguentada em cima da Isa. Eu tirei ela de cima. Puxei ela pelo cabelo e chacoalhei pra ver o que tinha acontecido. Ela falou que a Isa tinha se matado, que não tava aceitando o envolvimento entre eu e minha cunhada. Como ela [Isa] tava grávida, eu fiquei do mundo pra outro. Eu só evadi [fugi] do lugar porque já tinha problema. Ponhei as mãos nela… Não dava mais, acabou tudo”, prosseguiu o suspeito.
O áudio termina com um desabafo do suspeito sobre a expectativa da paternidade que, segundo ele, foi interrompida com o episódio. “Ela era minha companheira, sabia que eu tinha os problemas com a Justiça e toda a vida me capiando, me ajudando… Não tinha motivo nenhum, doutor. […] Eu não briguei com ela nesse dia e nenhum dia.”
Ruan dos Santos também declarou ao advogado que não pretende se entregar à polícia. Ele é considerado foragido da Justiça desde 2023, sob a suspeita de ter matado três pessoas em uma chacina registrada em Reserva, nos Campos Gerais do Paraná.
“Eu não sei se a minha cunhada apareceu ou não, mas a minha cunhada fugiu também. […] Quem escondeu minha cunhada toda ensanguentada… Tinha sangue na cara dela, no peito, tudo… Foi a minha sogra. E daí o revólver foi pra onde? Esse crime eu não… Eu só me escapei porque… Eu achei que eles não iam pegar a arma. Eles pegavam a arma, faziam os exames tudo certinho e dava quem que atirou. A arma é minha, mas tava guardada em cima do guarda-roupa. Nesse dia que eu tava lá, eu tava desarmado”, disse.
O advogado de Ruan afirmou nesta terça-feira (11) que o cliente nega ter cometido o crime. Apesar disso, ele teria confessado o envolvimento na cachina. Rogério Nogueira disse ainda que tem mantido contato com o suspeito, mas que não sabe sua localização exata. Segundo ele, Ruan estaria avaliando uma possível apresentação à polícia. O delegado responsável pelo caso informou, porém, que ele não apareceu na delegacia.