Sonho frustrado: vítimas denunciam que empresário promete construir, não termina obra e deixa clientes na mão

Em alguns casos, os clientes desembolsaram mais de R$ 30 mil e acabaram vendo seus sonhos “desmoronarem” em um golpe

João Matheus Joaquim, com supervisão de Lucas Sarzi

Imagem ilustrativa de uma construção abandonada - Foto: Pixabay

Imagem ilustrativa de uma construção abandonada - Foto: Pixabay

A realização do sonho de construir uma casa, um chalé ou até mesmo reformar uma estrutura virou pesadelo, que custou caro. Nos últimos dias, várias pessoas procuraram a reportagem da Banda B para denunciar o golpe que sofreram de uma construtora com registro em Curitiba. Em alguns casos, os clientes chegaram a investir mais de R$ 30 mil em uma obra, que nunca chegou ao final.

Imagens do início da obra – Foto: Thiago Soares/Arquivo pessoal

Uma das vítimas é Thiago Soares de Queiroz Cleto. Depois de pagar uma entrada de R$ 30 mil, prevista no contrato inicial, ele ainda arcou com os custos de hospedagem e alimentação dos pedreiros que iriam realizar o trabalho e comprou o material para iniciar a obra, estes em um combinado fora do contrato, na promessa de ser reembolsado depois, valor que ficou próximo dos R$ 10 mil, segundo Thiago.

“Eu vi um anúncio pelo Facebook, uma moça chamada Jade estava fazendo a venda e divulgando construção de chalé. Como eu tinha comprado um terreninho acabou interessando para a gente. Devido a facilidade, a entrada e parcelamento da obra.”

relata Thiago Soares.

Em nota, a Polícia Civil de São Paulo, através da Secretaria de Segurança Pública (SSP), diz que “o caso foi registrado como estelionato na Delegacia Eletrônica. Por se tratar de crime de ação condicionada a autoridade policial aguarda pela representação criminal, o que não foi feito até o momento. O delegado segue à disposição da vítima”.

A situação da vigilante Sônia Maria Silva não foi diferente. Depois de investir pouco mais de R$ 33 mil, recebidos após a aposentadoria do marido, como entrada da obra, ela ainda foi cobrada em mais de R$ 1 mil relacionados à alimentação dos pedreiros, custo que, de acordo com ela, seria de responsabilidade da empresa contratada.

“Só de falar a gente já fica nervosa. A gente sempre teve um sonho de a gente ter uma chacrinha e realizar de madeira quando meu marido aposentasse. E assim aconteceu. Meu esposo aposentou, pegou o dinheiro. A gente olhou pela internet, a gente conversou com o vendedor dele, tudo bonitinho. Tudo que a gente pedia, ele fazia, aquelas coisas todas. Foi feito o contrato. Ele prometeu pra gente que faria em 40 dias a nossa casa”

conta Sônia Maria.
Registro do início da obra – Foto: Sônia Maria/Arquivo pessoal

O fisioterapeuta Rodrigo Zabini teve um prejuízo um pouco menor. Rodrigo pagou R$ 5 mil para reformar uma churrasqueira. Depois de alguns dias de demolição, o serviço foi interrompido e ele viu o sonho ser abandonado antes do fim.

“E ele foi atencioso, mostrou alguns projetos, depois eu via que esses projetos são tudo cópia de outros lugares, de outras construtoras, mas na hora a gente não vê isso, né? E aí depois de muito conversar, fazer algumas propostas, ideias, contratos, ler e tal, a ideia foi de que a gente fizesse só uma reforma simples numa churrasqueira que tem em casa e a gente assinou um contrato.”

relata Rodrigo Zabini.

Caíram em golpe?

O que eles têm em comum: todos contrataram a empresa G&F Construtora LTDA, após encontrar um anúncio em uma rede social. O princípio da conversa entre os clientes e a empresa foi o mesmo. Após o contato inicial, todos acreditaram ser uma empresa séria, que realizaria o contrato e o sonho deles.

De acordo com eles, Fernando Henrique Candeu da Silva, o dono da empresa, foi atencioso e solícito até a assinatura do contrato. Após o início da obra, ou o pagamento do valor combinado, o empresário os enrolava e os abandonava.

Os pedreiros, que eram contratados pela empresa,  geralmente eram de outros estados, na esperança de trabalhar para construir uma vida melhor.

Contudo, Sonia e Thiago informaram que os trabalhadores chegavam sem alojamento e comida, e eles precisavam ajudar ou pedir a Fernando que ajudasse os pedreiros nesse sentido. 

No caso de Thiago, o valor não foi reembolsado como combinado. Sonia recebeu a conta do restaurante que mandava marmita para os trabalhadores, o que, segundo ela, foi Fernando quem havia contratado.

Fernando e a empresa colecionam processos judiciais. São ações trabalhistas, danos morais, danos materiais e rescisões de contrato nos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

Thiago, Sonia e Rodrigo, ainda relataram que o processo deles contra Fernando não consegue correr na Justiça, devido ao fato das notificações judiciais não encontrarem o empresário em nenhum dos endereços que ele diz ter.

O que diz a empresa

A reportagem da Banda B tentou entrar em contato com a empresa G&F Construtora LTDA, mas não obteve sucesso. O espaço segue aberto para que a empresa possa se pronunciar a respeito dos relatos apresentados pelas vítimas.

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