Daniel morreu em outubro do ano passado (Divulgação Botafogo)

 

Após responder solicitação da Justiça alegando que as imagens do jogador Daniel Corrêa Freitas poderiam não existir mais em seus registros, a Shed Western Bar informou no final da tarde desta segunda-feira (15) que encontrou as gravações e que deve entregá-las nesta terça-feira (16). Uma nova análise dos aparelhos de DVR (Digital Video Recorder) foi realizada na cidade de Balneário Camboriú durante a tarde e as imagens foram então localizadas.

A informação inicial, que chegou a ser respondida oficialmente à juíza Luciani Regina Martins de Paula, era de que os aparelhos de DVR (Digital Video Recorder) da casa gravam imagens por aproximadamente 10 dias, mas acabam tendo os arquivos substituídos a partir de então. Ainda segundo a Shed, a primeira solicitação pelos vídeos teria acontecido 40 dias depois ao crime, o que poderia ter resultado no extravio das imagens.

“No primeiro momento, informamos que não teríamos mais as imagens pois o equipamento não se encontrava mais em Curitiba, após o fechamento da casa. Os equipamentos foram enviados para Balneário Camboriú, sede da marca. O fato é que após uma análise técnica, foi verificado que teremos as imagens disponíveis a partir de amanhã (16) para envio para a justiça. Estamos a disposição para qualquer informação solicitada pela juíza do caso”, informou a Shed.

Motivo do pedido

O pedido pelas imagens foi feito após o depoimento do chefe de segurança da casa noturna. Em audiência, prestada ao Fórum de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, Marcelo Guerra disse que Daniel teria importunado uma mulher, que pediu ajuda para três amigos. “Na saída da casa, ele foi conversar com uma menina e creio eu que ficou importunando. Acabou a menina reclamando aos amigos e quase entraram em via de fatos, o jogador e três pessoas”, descreveu.

Neste depoimento, Guerra chega a citar as imagens e disse que a situação foi verificada após a imprensa noticiar a morte de Daniel.

Tempo de armazenamento

Atualmente, não há nenhuma lei específica no Brasil que trate do tempo de armazenamento de imagens em casas noturnas. Um projeto que tramita na Câmara dos Deputados, porém, quer obrigar estabelecimentos e locais com grande fluxo de circulação de pessoas detenham sistema de monitoramento e gravação eletrônica de imagens por meio de circuito fechado e que sejam obrigados a manter os arquivos de imagens diárias armazenados por um período mínimo de 30 (trinta) dias, a contar da zero hora da data de início da gravação.

O projeto está em trâmite desde 2013 e atualmente está novamente em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Entretanto, em âmbito municipal, uma lei de 2012 determina que as imagens sejam armazenadas no período de 60 dias.

O crime

Daniel foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estava em uma festa na casa da família Brittes e morreu após enviar fotos de Cristiana para um grupo de amigos no WhatsApp.

Foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), por homicídio com motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual: Edison Brittes Junior, de 38 anos; Eduardo Henrique da Silva, de 19; Igor King, de 19; e David Willian Vollero Silva, de 18.

A quinta indiciada por homicídio qualificado, com motivo torpe, é Cristiana Brittes, de 35 anos.

A filha do casal Brittes, Allana, também foi denunciada à Justiça. Ela responde por coação de testemunhas, fraude processual e corrupção de menores. Evellyn Perusso responde por fraude processual e denunciação caluniosa. Ela é a única acusada que responde ao crime em liberdade.