Alexandra tinha lesões pelo corpo e foi morta por compressão no peito. Foto: Reprodução Facebook

 

O laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba aponta que Alexandra Maria da Silva, morta durante a noite de Natal pela amiga, no bairro Jardim das Américas, não foi vítima de um golpe chamado ‘mata leão’. O documento de necropsia revela que a morte aconteceu por asfixia indireta, quando ocorre compressão na região do peito. Este tipo de morte é comum apenas em acidentes de trânsito, soterramentos e quedas de objetos de muito peso contra o corpo da vítima, segundo o laudo. A suspeita do crime, Daiana Pereira Barrozo, chegou a ser presa logo após o crime, mas está em liberdade. Na versão dela, Alexandra teria partido para cima dos filhos dela, obrigando-a a segurar a amiga pelo pescoço.

Com a conclusão do laudo de necropsia, o advogado da família de Alexandra, Maurício Zampieri, acredita que a vítima tenha sofrido bastante para morrer. “Alexandra foi morta por espancamento, múltiplas lesões, escoriações, equimoses. A causa da morte foi por asfixia indireta, por compressão no tórax. Alguém pode ter subido em cima dela com os joelhos, com as pernas, mais pessoas. A vítima teve congestão cérvico facial, que signfica que o pulmão queria respirar, tinha uma carga pesada em cima dela impedindo, a veia cava do pescoço acaba dilantando e fica um hematoma. É igual a soterramento, desabamento, pessoas presas entre às ferragens em acidente de carro. É considerado um dos meios mais cruéis de morte”, descreveu à Banda B.

Segundo Zampieri, é nítido que o laudo é bastante contraditório da versão apresentada por Daiana na audiência de custódia. “Uma pessoa que é morta por mata leão, morre por estrangulamento, não por asfixia. A pessoa que morre por estrangulamento tem lesões no pescoço, a pessoa que morre por asfixia mecânica, quando é usada a mão, também tem lesões no pescoço. Acontece que o pescoço da Alexandra estava intacto, na sua íntegra, sem nenhuma lesão”, completou.

No dia do velório de Alexandra, a família já desconfiava da versão apresentada por Daiana pelas marcas de agressão no rosto, na parte de trás da cabeça, nas pernas.

Participação

A acusada e ré confessa disse à Justiça que manteve Alexandra presa pelos braços, sozinha. Já a acusação enxerga a participação de mais pessoas no crime. “É impossível que ela tenha agido sozinha. A Alexandra tinha 1,70 metros, frequentava academia todos os dias. Não é porque ela consumia bebida alcoólica e fazia uso de entorpecentes fim de semana que era uma pessoa fragilizada, pelo contrário. Por isso, seria necessário, no mínimo, 140 a 150 quilos para que ela desfalecesse”, defende.

Além disso, outras pessoas estavam na casa – conforme depoimentos e fotos enviadas antes do crime. “Tinha o filho da acusada, de 17 anos, que mandou mensagem afirmando que ajudou a mãe a conter Alexandra. A filha dela, também. Temos imagens onde tinha um terceiro homem não identificado, o homem que estava saindo com Alexandra, um professor de inglês que já está identificado e vai depor, e outros dois rapazes que surgiram de madrugada para levar droga”, completou.

Motivação

Para o advogado da família de Alexandra, a motivação tem relação com a droga e o dinheiro que a vítima tinha no bolso. “Ela tinha R$ 1,5 mil. Há mensagens entre elas dizendo que fariam uso de cocaína e que parte seria pago pela Alexandra. É provável que a droga tenha acabado, eles queriam comprar mais e Alexandra teria se negado a dar valor que ainda restava do dinheiro. Tentaram pegar dela, ela não quis dar e acabaram a matando”, disse Zampieri à Banda B.

Áudios em que Alexandra enviou antes de morrer já revelavam que havia um clima tensão dentro da casa. “Acho que não vou sair daqui não… Sinceramente, pelo que tô vendo, vou tirar uma soneca eternamente”, diz Alexandra. Uma voz ao fundo diz: “Sabe como é que falam? Vou colocar um paletó de madeira”. Alexandra responde: “Na cadeia é assim mesmo”, e o áudio termina.

Reconstituição

Zampieri confirmou que pediu à Justiça uma reconstituição do crime para que a acusada possa detalhar a versão apresentada em depoimentos. “Nós pedimos uma diligência que achamos imprescindível para o caso, o Ministério Público concordou, a defesa técnica da acusada também concordou, que é a reprodução simulada, conhecida como reconstituição do crime. Isso é para que a acusada demonstre como que ela cometeu o delito, como foi esse mata leão, que ela alega, e os peritos, com o laudo oficial, tirarão as dúvidas”, finalizou o advogado à Banda B.

O crime

O crime aconteceu durante o Natal na casa da acusada, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba. Alexandra chegou no dia 24 e permaneceu até a madrugada do dia 26, quando foi morta. Na residência, além das duas, estavam também os quatro filhos de Daiana – que têm entre três e 16 anos de idade.

Pela versão de Daiana, a vítima teve um surto psicótico, falou frases desconexas, por exemplo, que “tinha a missão de matar o filho da Daiana e que estaria possuída”. A Alexandra teria, então, agarrado o filho mais novo de Daiana, momento em que a mãe a segurou e deu um mata leão. O Siate foi acionado, mas quando chegou Alexandra já estava morta.

 

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