A Polícia Civil realizou, na manhã desta sexta-feira (17), a reconstituição do assassinato do acolhido Joares da Silva, de 29 anos, em uma casa de passagem de Curitiba. O homem morreu após ser baleado por um agente da Guarda Municipal (GM) no último dia 7, no bairro Rebouças.

A remontagem da dinâmica do crime envolveu promotores do Ministério Público, investigadores da Polícia Civil e peritos da Polícia Científica. De acordo com o delegado responsável pelo caso, a reconstituição levou cerca de duas horas.

Polícia faz reconstituição do assassinato de homem em casa de passagem de Curitiba; guarda municipal é investigado
Reconstituição do crime se encerrou por volta das 12h50 desta sexta (17) – Foto: Marcelo Borges/Banda B

“Fizemos esse trabalho para reproduzir a cena do crime e procuramos refazer a dinâmica do ocorrido. Foi feito um trabalho de engenharia e fotografia porque não tínhamos câmeras instaladas nas dependências da unidade da FAS [Fundação de Ação Social]”, disse o delegado Osmar Dechiche, 2.º DP.

Dechiche informou, em entrevista coletiva, que a Polícia Civil já possui “todos os elementos da dinâmica do crime”. “Temos o distanciamento, disparo, número de agentes… Todos os requisitos necessários para a conclusão do inquérito”, acrescentou.

O inquérito sobre o caso deve ser concluído em até 30 dias a partir da data do ocorrido.

A Banda B procurou a GM para comentar o caso e aguarda retorno.

O caso

Joares da Silva, de 29 anos, foi morto após ser baleado por um agente da GM na Casa de Passagem Rebouças, no dia 7 de novembro.

De acordo com testemunhas, a morte ocorreu em decorrência de uma discussão que envolveu o guarda e a vítima. A casa de passagem, mantida pela FAS, atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Polícia faz reconstituição do assassinato de homem em casa de passagem de Curitiba; guarda municipal é investigado
Episódio aconteceu na Casa de Passagem Rebouças – Foto: Djalma Malaquias/Banda B

No dia do ocorrido, a corporação informou, em nota, que Joares passou a noite no local e, durante a manhã, se envolveu em uma discussão com outras pessoas que estavam na casa. Um dos educadores sociais da FAS teria, então, pedido ajuda ao guarda para conter a confusão.

“O servidor, que já havia encerrado seu trabalho e estava realizando a troca de turno, ofereceu ajuda aos colegas quando o acolhido teria agredido o guarda municipal, levando-o a empregar a força e a realizar um disparo de arma de fogo”, disse a GM.

Após o disparo e a morte do homem ser constatada, o agente foi encaminhado para uma delegacia, onde foi ouvido e liberado.

O caso também é apurado pela Corregedoria da Guarda Municipal.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) designou dois promotores de Justiça para acompanhar as investigações em torno do assassinato de Joares. Segundo informou órgão à Banda B, os integrantes do órgão atuam na Promotoria de Crimes Dolosos contra a Vida de Curitiba. O caso também será acompanhado pela Promotoria de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos de Curitiba.

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