Quatro integrantes do núcleo financeiro de uma organização criminosa, responsável por movimentar cerca de R$ 30 milhões em fraudes comerciais, foram presos nesta quarta-feira (14) durante uma operação realizada nas cidades de São Paulo, Itaquaquecetuba e São José dos Campos.
A ação, que contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, faz parte da segunda fase de uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Paraná. Um dos alvos dos mandados continua foragido.
De acordo com o delegado Tiago Dantas, o grupo aplicava golpes utilizando documentos falsificados e contas de WhatsApp clonadas para se passar por representantes de um grande supermercado do Paraná. Com base na credibilidade da empresa, os criminosos negociavam mercadorias com fornecedores de diversas regiões do Brasil.
As cargas negociadas pelo grupo criminoso eram adquiridas com o uso de documentos falsificados e retiradas por transportadores contratados pelo próprio esquema. Com um valor a faturar — ou seja, sem pagamento imediato —, os produtos eram desviados para endereços diferentes dos acordados com os fornecedores.
“A carga era acondicionada num galpão que ficava armazenado, e com a carga ali eles vendiam para diversos comércios no estado de São Paulo e região metropolitana do estado de São Paulo”
afirmou Dantas.
As investigações apontam que o esquema causou prejuízos significativos a fornecedores em estados como Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Paraná.
“Eles simulavam ser os proprietários do supermercado e, com base em uma documentação bem produzida, os fornecedores desses produtos entregavam de boa fé. Não tinha como antever que aquela documentação era falsificada, então acabavam entregando aquela mercadoria e não recebiam o valor daquele produto vendido”
explicou o delegado.
Além do estelionato, o grupo também é investigado por lavagem de dinheiro e prática de usura. Os valores obtidos com os golpes eram movimentados por meio de contas bancárias ligadas a empresas de fachada e a pessoas interpostas.
A operação também cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, resultando na localização de quantias em dinheiro, uma arma de fogo calibre 380, um veículo, celulares e documentos.
Segunda fase
Essa é a segunda fase da operação, que teve início em janeiro. Na etapa anterior, três mandados de prisão foram expedidos, dois deles cumpridos à época. Um dos investigados, que estava foragido desde então, foi localizado e preso nesta nova fase.
Conforme o delegado, a operação deflagrada nesta quarta-feira teve como principal objetivo desarticular o núcleo financeiro da organização criminosa.
“Na primeira fase, identificamos uma movimentação financeira de cerca de R$ 12 milhões. Aprofundando a investigação, descobrimos que o grupo utilizava o nome de empresas de fachada, como distribuidoras de bebidas que já não existiam mais, para movimentar cerca de R$ 13 a 14 milhões”
disse Dantas.
O delegado ressaltou ainda a importância de atacar a base econômica do grupo.
“Não adianta apenas prender os indivíduos. É fundamental asfixiar o lado econômico para poder definitivamente desarticular essa associação criminosa.”
destacou.
As investigações continuam a fim de prender todos os envolvidos na organização criminosa.