O promotor João Milton Salles, da 1ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, afirmou não ter mais dúvidas sobre o que aconteceu dentro da casa da Família Brittes, na manhã do ultimo dia 27, após a festa de 18 anos de Allana Brittes. Em entrevista coletiva, Salles afirmou que os pais, Edison Brittes, de 38 anos, e Cristiana Brittes, de 35, deixaram a situação sair do controle.

“Não há mistério algum sobre o que aconteceu naquela casa. Era uma festividade com jovens e um casal de pais, que promovia o aniversario de uma jovem de 18 anos. Os pais deixaram a situação sair do controle, quando se esperava justamente o contrário, em uma festividade que terminou pela manhã”, iniciou.

(Foto: Reprodução WhatsApp)

Segundo o promotor, dentro da festividade surgiu a circunstância do jogador Daniel Corrêia de Freitas, de 24 anos, assassinado naquele dia, se deitar na cama de Cristiana. “Dentro daquela circunstância caótica, eles resolveram fazer um ‘injustiçamento’, julgando aquela conduta de forma equivocada. Foram diversos atos de punição por uma conduta que eles julgaram errado”, completou.

Salles ainda fez questão de destacar que nada leva a crer uma intenção de estupro por parte de Daniel. “Oferta de bebida, uma casa pequena, um quarto perto do local onde acontecia a festividade. Naquele momento, já haviam várias pessoas deitadas devido ao cansaço. Ele deitou em uma circunstância que estava dentro do ambiente, uma normalidade naquele momento, por isso não se pode atribuir a intenção de estupro, assim como também não posso atribuir a Cristiana uma culpa por ele ter se deitado ali”, afirmou.

Apesar disso, o promotor voltou a reiterar o motivo para que Cristiana também fosse indiciada por homicídio. “A postura da Cristiana aponta que ela, em determinado momento, teria incentivado que as agressões não fossem praticadas dentro da casa. A partir daí, não tenho como duvidar que o desenrolar dos atos não aconteceu por esta determinação dela”, explicou.

Por fim, o promotor criticou a atitude de Edison Brittes, enquanto elogiou o passado de Daniel. “Um pai fazer um injustiçamento no aniversário da filha, a um jovem, conhecido da filha, não tem cabimento. Houve muita crueldade ali. Não posso dar uma acusação de estupro a uma pessoa (Daniel) que, em todas as minhas analises  conversando com amigos, parentes e a mãe da filha dela, não há nada que desabone a sua conduta”, concluiu.

Denúncias

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou, nesta terça-feira (27), quatro pessoas por homicídio triplamente qualificado no Caso Daniel. Irão responder na Justiça pela morte do jogador, com motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual: Edison Brittes Junior, de 38 anos; Eduardo Henrique da Silva, de 19; Igor King, de 19; e David Willian Vollero Silva, de 18. A quinta indiciada por homicídio qualificado, com motivo torpe, é Cristiana Brittes, de 35 anos. Daniel Corrêa Freitas foi encontrado morto na manhã do dia 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

A filha do casal Brittes, Allana, também foi denunciada à Justiça. Ela irá responder por coação de testemunhas, fraude processual e corrupção de menores. Também por fraude processual foi denunciada a jovem Evellyn Perusso, que até aqui era tratada pela Polícia Civil apenas como testemunha.

Já o Eduardo Purkote Chiuratto, de 18 anos, que chegou a ser preso e indiciado pela Polícia Civil por lesão corporal grave não foi denunciado pelo MP-PR. Ele deixou a prisão na tarde desta segunda-feira (26).

O caso

Daniel foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estava em uma festa na casa da família Brittes e morreu após enviar fotos de Cristiana para um grupo de amigos no WhatsApp.

Investigações apontam que pelo menos quatro pessoas teriam participado das agressões contra o jogador. Já bastante machucado, ele foi colocado no porta-malas de um veículo Veloster e levado até a Colônia Mergulhão.

Neste local, pelo menos duas pessoas teriam carregado o corpo do jovem até uma plantação de pinus, segundo conclusão de perícia do Instituto de Criminalística do Paraná.