(Foto: Street View)

 

Um professor de esgrima, de 50 anos, foi preso por policiais civis do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) nesta terça-feira (12). Ele é acusado de abusar de uma aluna de doze anos durante as aulas no Círculo Militar de Curitiba. A prisão temporária aconteceu na casa do acusado, onde foram apreendidos um aparelho celular e também um notebook.

O delegado José Barreto, do Nucria, explicou à Banda B que o professor, que é casado, aproveitava o alongamento para cometer os abusos. “A vítima é aluna no Circulo Militar do Paraná e, durante o alongamento, ele praticava os abusos. Ao verificar um comportamento diferente do normal, tirando notas baixas, a mãe questionou muito a filha, que tomou coragem e denunciou este professor, quando ele estava viajando para o exterior”, destacou.

De acordo com o delegado, a aluna foi seduzida para aulas particulares no Círculo Militar, porque o professor alegava que a via como um talento. “O preso insistia em aulas particulares. Pelo o que foi apurado, inclusive, ofereceu uma bolsa para que ela não pagasse as aulas e ainda pedia muito para que não faltasse. Então, além da aula em grupo, ela ia para estas individuais, porque era vista como um grande talento. Neste momento, o professor pegava nas genitálias e dava beijos no peito da garota”, descreveu.

Ainda segundo o delegado, as aulas aconteciam no Círculo Militar, no ano passado, mas o professor também dava atendimento de forma particular. “O Círculo Militar foi informado para nos passar os nomes de outras possíveis vítimas deste professor, bem como quem tenha feito aula particular de esgrima com ele”, disse.

A expectativa da polícia é pedir que a prisão temporária se torne preventiva enquanto as investigações seguem em andamento. A informação é que o professor foi demitido recentemente do Círculo Militar.

Nota Círculo Militar

Nesta quarta-feira (13), o Círculo Militar enviou nota oficial sobre o caso:

 

“A direção do Clube Círculo Militar do Paraná, surpreendida pela prisão temporária do professor de esgrima citado na denúncia, ocorrida na última segunda-feira (11), em razão da suspeita de molestar sexualmente uma ex-sócia-atleta menor do Clube, informa que instaurou Comissão Sindicante para apurar os fatos divulgados pela Imprensa. A Comissão foi formada na manhã desta quarta-feira (13) e é composta pelo Cel. Ivan Irber (2º Vice-Presidente), Dr. José Orivaldo de Oliveira (Diretor Jurídico) e Carlos Alberto Afonso (Diretor de Esportes). Entre suas atribuições, a Comissão deverá ouvir sócios-atletas e atletas-sócios que tiveram aulas e treinamentos com o professor, bem como seus familiares, para apurar qualquer inconformidade profissional, pessoal ou desportiva na conduta d professor

A direção do Círculo Militar do Paraná também vem a público esclarecer os seguintes pontos.

Sobre a ex-sócia-atleta denunciante e sua família.

– A direção do Clube solidariza-se com a sua ex-sócia-atleta e sua família e lamenta profundamente não ter sido comunicada anteriormente sobre os fatos relatados na denúncia formalizada à polícia.

– A direção do Clube coloca-se à disposição da ex-sócia-atleta e seus familiares para ajudar na elucidação dos fatos e na superação dos mesmos.

Sobre o professor da denúncia

– O professor , que não terá o nome citado a pedido da polícia, atuou como professor e treinador de esgrima do Clube no período de maio/2016 até o dia 6 de fevereiro de 2019, quando foi desligado do quadro de funcionários por contingenciamento financeiro.

– Nesse período, o professor  treinou mais de 30 atletas, de diferentes categorias, sem nunca ter sido denunciado por qualquer ilícito ou comportamento profissional inadequado.

– Também não houve registro de qualquer reclamação formal contra o professor Oswaldo Monteiro nos canais de ouvidoria do clube.

Sobre a denúncia

– A direção do Clube informa que o inquérito policial tramita em Segredo de Justiça, razão pela qual não teve acesso ao exato teor das acusações que pendem contra o professor; porém, já contatou a autoridade policial e se disponibilizou a colaborar com as investigações para que a Justiça possa ser estabelecida.

Sobre as notícias veiculadas pela Imprensa.

– A direção do Clube informa que não oferece serviço de treinador personal em esgrima e que as aulas desta modalidade não são individuais.

– A direção do Clube informa, ainda, que a ex-sócia-atleta denunciante e sua família nunca requisitaram o cadastramento de qualquer maior responsável para acompanhá-la no interior do Clube, seja para os treinamentos ou para os momentos de lazer.

Sobre os atletas do Clube.

– A direção do Clube preza pela saúde, integridade física, equilíbrio emocional e desenvolvimento integral dos seus atletas, zelando por sua segurança e bem-estar em todos os momentos, especialmente durante treinos e competições.

– A direção do Clube destaca que, desde a sua fundação, em 1934, o Círculo Militar do Paraná é referência na formação de atletas em diferentes modalidades, muitos dos quais atingiram projeção e reconhecimento nacional e internacional.

– A direção solidariza-se com todos os alunos e atletas do Clube, que ao longo do ano somam aproximadamente 300 praticantes das diversas modalidades desportivas, como esgrima, vôlei, basquete, natação, tênis e para-vôlei, lamentando pelo constrangimento causado pela denúncia envolvendo um ex-professor do Círculo Militar do Paraná.

A DIREÇÃO

Círculo Militar do Paraná”, diz a nota.