Dez são presos em operação contra roubos de cargas avaliadas em R$ 3 milhões na BR-116; dois estão foragidos

Suspeitos priorizavam cargas de produtos eletrônicos e agiam com bastante violência, segundo a Polícia Civil; crimes costumavam acontecer durante a madrugada

Redação

Dez pessoas foram presas nesta quarta-feira (14) sob a suspeita integrar uma quadrilha envolvida em pelo menos 12 roubos de cargas na BR-116, entre Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, e o estado de São Paulo. A Polícia Civil estima que o prejuízo causado pelos roubos chega a R$ 3 milhões. Dois suspeitos seguem foragidos.

A corporação cumpriu 27 mandados de forma simultânea em Curitiba, Campina Grande do Sul, Quatro Barras e Corbélia, como mostrou a Banda B mais cedo. As investigações tiveram início após um suposto roubo de carga registrado em outubro de 2024, em Campina Grande do Sul. Na ocasião, o motorista alegou ter sido vítima de um assalto, mas acabou sendo identificado como um dos participantes do crime.

Quadrilha que roubou cargas avaliadas em R$ 3 milhões é alvo de operação na Grande Curitiba —Foto: Reprodução/Polícia Civil

“Na sequência, os envolvidos passaram a ser monitorados e constatamos que eles estavam relacionados a diversos roubos de cargas praticados na região da cidade da RMC e na cidade de Barra do Turvo, em São Paulo”, explica o delegado André Feltes.

Somente entre janeiro e maio deste ano, foram pelo menos 12 abordagens a caminhões para o roubo das cargas. Em algumas casos, os criminosos realizaram mais de uma abordagem em um mesmo dia. Segundo as investigações, os criminosos agiam com violência, realizando disparos de arma de fogo contra os motoristas. Em um dos casos, o condutor perdeu o controle do veículo após os tiros e capotou.

Carro de luxo foi apreendido durante a operação nesta quarta (14) — Foto: Djalma Malaquias/Banda B

“Os motoristas sempre relatando abordagem por um veículo que já chegava efetuando disparos. Dos 12 roubos que a gente tem, em todos eles efetuaram disparos contra os caminhões, na região da cabine. Um dos motoristas disse que começou a tomar muitos tiros, se abaixou, perdeu o controle do caminhão e capotou. Era sempre na mesma região, entre Campina Grande do Sul e São Paulo. Eles levavam o caminhão pra uma estrada de terra pra evitar que o sistema de monitoramento identificasse uma saída de rota e travasse o veículo”, afirmou o delegado após a operação.

Ainda segundo Feltes, quando a empresa responsável pelo sistema de monitoramento entrava em contato com o motorista para confirmar a parada, os bandidos colocavam uma arma na cabeça da vítima e a forçavam a mentir, dizendo que estava tudo sob controle. Em média, os caminhoneiros eram mantidos reféns por cerca de 40 minutos — tempo suficiente para o transbordo da carga para outros veículos da quadrilha.

Em ao menos duas situações, veículos da concessionária responsável pelo trecho acionados por motoristas que passavam pela rodovia — e viam caminhões parados com pisca-alerta — foram recebidos a tiros.

A quadrilha agia desde outubro do ano passado. Alguns dos suspeitos são do estado de São Paulo, para onde parte das cargas era levada. Outros moram em Quatro Barras, Curitiba e São José dos Pinhais.

“Eles abordavam [os caminhoneiros] em busca de produtos eletrônicos, que é mais fácil de comercializar. A maioria tem passagens por roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo”, acrescentou o delegado.

“Por volta da meia-noite até as 4h da madrugada é quando ocorre mais situações de roubo de carga, sempre de forma violenta. É uma situação que afeta toda a população e que traz muita insegurança”, disse o representante da Guarda Municipal de Curitiba Evandro Souza.

A Polícia Civil não divulgou a identidade dos suspeitos presos nem dos foragidos.

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