Um policial civil é suspeito de usar arma de fogo e distintivo da corporação para roubar uma carga de medicamentos ilegais apreendida em um ônibus no Paraná. O caso é apurado no âmbito da operação “Off-Label”, deflagrada nesta sexta-feira (6) pelo Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR), as apurações começaram após a localização, no dia 27 de janeiro, de um pacote com centenas de ampolas de origem desconhecida dentro de um ônibus que saiu de Foz do Iguaçu, no oeste do Estado. O material continha, segundo os investigadores, medicamentos para emagrecimento e anabolizantes.

Foto mostra agentes do Gaeco cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Policial civil e passageira responsável pelos medicamentos foram presos – Foto: Divulgação/Ministério Público

No dia seguinte à apreensão, o policial civil afastado teria ido até a empresa de transportes e, sob o pretexto de fazer uma diligência oficial, usou a arma e o distintivo para coagir funcionários e retirar a carga que havia sido recolhida. Ele foi afastado do cargo.

Além do policial, uma passageira apontada como responsável por deixar o pacote no ônibus também foi alvo da apuração. Os dois tiveram mandados de prisão temporária cumpridos.

As ordens judiciais incluíram ainda mandados de busca e apreensão em 11 endereços ligados a seis investigados, nas cidades de Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

Colagem de duas fotos mostra embalagens de remédios para emagrecer
Gaeco apreendeu medicamentos usados para emagrecimento durante a operação – – Foto: Divulgação/Ministério Público

Segundo as informações apuradas, são analisados indícios de associação criminosa armada, roubo com uso de arma de fogo e comércio ilegal de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. As buscas tinham como objetivo apreender medicamentos de origem estrangeira, drogas, dinheiro, além de celulares, computadores e documentos.

A operação contou com apoio da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da corporação.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil informou à Banda B que está colaborando com as investigações do Gaeco e que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) apura a conduta do servidor preso. Veja a nota na íntegra abaixo:

“A Polícia Civil do Paraná (PCPR) está colaborando ativamente com as investigações do GAECO, do qual é parte integrante, a fim de elucidar toda e qualquer ocorrência delituosa.

Ao mesmo tempo, o Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) está sendo conduzido internamente.

A PCPR reafirma seu compromisso com a integridade institucional e a rigorosa apuração de condutas incompatíveis com o serviço público, garantindo que eventuais desvios sejam tratados com seriedade e celeridade, sempre com respeito ao contraditório e à ampla defesa, como determina a legislação.”