Após repercutir a informação de que, mesmo preso, o delegado Erik Busetti, teve acesso ao sistema da Polícia Civil e fez várias pesquisas, a Polícia Penal do Paraná se posicionou. Segundo o órgão responsável pelo Complexo Médico Penal, onde o condenado por matar a esposa e a enteada a tiros está preso, Erik aproveitou de uma brecha para ter acesso ao computador. 

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Foto: Banda B.

Erik Busetti foi condenado, na madrugada desta sexta-feira (5), pelo duplo feminicídio da esposa, Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, e da enteada, Ana Carolina de Souza, de 16. Ao todo, serão 38 anos e 10 meses, além também da perda do emprego de delegado e do poder familiar. 

A Banda B denunciou, na quinta-feira (4), os acessos feitos pelo então delegado enquanto já estava preso, desde março de 2020, e não poderia ter acesso à internet e nem ao sistema da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR), mas isso ocorreu.

Conforme os documentos que constam no processo, que é público e a reportagem teve acesso, foram várias as consultas realizadas pelo delegado Erik Busetti ao sistema da SESP, mesmo preso. 

Entre os nomes pesquisados está o da advogada Louise Mattar Assad, que atuou como assistente de acusação no julgamento de Erik Busetti. O então delegado fez 18 buscas de informações sobre o nome da advogada, endereço e até sobre carros em seu nome. 

A defesa de Erik Busetti foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto.

Como teve o acesso

Procurada, a Polícia Penal do Paraná foi questionada sobre de que forma o acesso foi feito, como o delegado estava com acesso à internet e por qual motivo foi permitido o acesso à internet mesmo preso, e o que foi feito após isso ser descoberto. 

Segundo o órgão, Erik Busetti realizava atividades laborais no setor de biblioteca e pedagogia auxiliando outros apenados em cursos de ensino à distância. 

“A investigação verificou que o acesso ocorreu mediante login e senha que obtinha enquanto delegado de polícia, que não havia sido suspenso na ocasião da prisão. Após ser constatado acesso aos sistemas sesp/intranet, a Polícia Civil suspendeu o login e senha pessoal do custodiado daquela instituição, findando os acessos”. 

Sindicância

Conforme a Polícia Penal do Paraná, houve abertura de sindicância administrativa por parte da Corregedoria da Polícia Penal para investigar as alegações de acesso a sistemas por parte do referido custodiado, à época. 

“Ainda houve processo criminal correcional e a lavratura de termo circunstanciado por infração ao utilizar indevidamente os acessos”

conclui a nota da Polícia Penal do Paraná.

Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que “a custódia do indivíduo não estava e não está sendo feita” pela instituição. Ainda conforme a PCPR, o inquérito que apurava a conduta em relação ao acesso à sistema foi concluído e encaminhado à Justiça. “Por padrão, a PCPR não se manifesta sobre casos que já estão em fase judicial, pois cabe ao Ministério Público sua condução”.

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Polícia Penal explica como, mesmo preso, delegado Erik Busetti usou sistema da SESP para buscas de informações

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