Polícia investiga se mortes de ex-PMs têm alguma ligação e se estão relacionadas ao tráfico de drogas

Saladini e Lobrigatte foram mortos em um intervalo de menos de duas semanas

Francielly Azevedo e Eliandro Santana

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) tenta montar um quebra-cabeça depois das mortes de dois ex-policiais militares em Curitiba em um intervalo de menos de duas semanas. A polícia quer saber se a execução de Anderson Lobrigatte, de 38 anos, nesta sexta-feira (17), tem alguma ligação com o assassinato de Marcelo Araújo Saladini, de 33 anos.

ex-pms saladini e Anderson Lobrigatte
Saladini (esquerda) e Lobrigatte (direita) foram mortos com dezenas de tiros

Lobrigatte foi executado com mais de 100 tiros na manhã de hoje na frente de um condomínio no bairro Capão Raso, em Curitiba. A Polícia Científica localizou no local cápsulas de fuzil 556, de uso restrito, e 9mm.

“O rapaz saiu de um estabelecimento comercial durante a noite acompanhado de uma moça. Ele foi deixar essa moça em casa e quando estacionou o veículo em frente à residência dela foi abordado por indivíduos em uma moto. O rapaz estava em um carro semiblindado, chegou a descer do veículo e foi executado fora do automóvel. A moça que o acompanhava recebeu um disparo na perna e foi encaminhada ao hospital. Ao que tudo indica a moça não era o alvo”, disse o delegado Thiago Filgueiras.

Já Saladini foi assassinado no último dia 5 de janeiro, com cerca de 50 tiros, no bairro Sítio Cercado. Testemunhas relataram que dois homens abordaram Saladini e o executaram no momento em que ele chegava em casa.

Os dois ex-PMs foram expulsos da corporação: Lobrigatte em 2021 e Saladini em 2022. O segundo era investigado por crimes relacionados a tráfico de drogas e homicídio.

Conforme o delegado, a polícia já tem uma linha de investigação sobre a morte de Lobrigatte, mas ainda não pode dar detalhes.

“O número de disparos é relevante e indica que trata-se realmente de uma execução. Nós temos linha de investigação, mas por enquanto precisamos manter o sigilo sobre o inquérito para não atrapalhar as diligências. Essas relações que foram divulgadas até então ainda não foram apuradas pela polícia, nós estamos diligenciando ainda”, destacou.

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