A Polícia Civil descartou, pelo menos neste momento, a hipótese de tentativa de feminicídio no caso da recepcionista espancada por um hóspede dentro de um hotel em Curitiba. O homem preso após o ataque foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado, decisão que passou a ser contestada pela defesa da vítima.
A recepcionista Maria Niuzete Batista, de 55 anos, foi perseguida e brutalmente agredida pelo pintor Jhonathan Reynaldo dos Santos, de 24, no último sábado (7). Ele estava hospedado no estabelecimento onde a vítima trabalha e foi preso em flagrante pela Polícia Militar (PM).

“A PCPR informa que um homem de 24 anos foi preso em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio qualificado, após a agressão contra uma funcionária de um hotel”, informou a Polícia Civil, em nota.
A vítima foi ouvida pela polícia e a prisão em flagrante acabou convertida em prisão preventiva. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
Novas imagens obtidas pela Banda B nesta quarta-feira (11) mostram o suspeito a agredindo enquanto ela implorava por socorro. De acordo com Maria, o espancamento foi motivado pela recusa de um beijo pedido pelo suspeito.
Qualificadoras consideradas
Questionada pela Banda B sobre o enquadramento do crime, a Polícia Civil informou que a tipificação foi definida com base nas informações disponíveis no momento do flagrante.
“A tipificação penal foi definida com base nas informações preliminares disponíveis no momento do flagrante. Na ocasião, o suspeito foi autuado por tentativa de homicídio qualificado. A tipificação penal poderá ser reavaliada no curso do processo, a partir de novas informações e demais elementos colhidos ao longo da apuração”, disse o órgão.

Sobre as qualificadoras consideradas, disse que o suspeito foi autuado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e por emboscada.
A corporação também foi questionada sobre o fato de o caso não ter sido atendido em uma Delegacia da Mulher, como apontado pela defesa da vítima. A Polícia Civil informou que a delegada responsável não tinha disponibilidade para conceder entrevista.
Defesa sustenta tentativa de feminicídio
O advogado da recepcionista, Jackson Bahls, afirma que apresentou uma petição à Justiça contestando o enquadramento feito pela polícia. Segundo ele, o caso deve ser tratado como tentativa de feminicídio.
De acordo com o advogado, também foram solicitadas medidas protetivas de urgência para a vítima. “Hoje, peticionamos ao juízo requerendo medidas protetivas de urgência, coisa que o Poder Público não fez até agora para essa mulher”, afirmou.
Bahls também sustenta que o suspeito deve responder por feminicídio tentado e fraude processual, além de descartar a possibilidade de que a defesa do homem alegue uso de drogas ou álcool como justificativa.
“Esse homem vai pagar, vai estar presente no Tribunal do Júri de Curitiba. A sociedade vai julgar e condenar. O lugar dele é na cadeia”, disse.
A definição final sobre o enquadramento jurídico do caso caberá ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora analisam o inquérito policial.
Procurado, o advogado do suspeito afirmou que, por ora, não vai se manifestar.
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