A Polícia Científica voltou atrás e retificou o laudo que atestava que poderia ter havido um disparo de arma de fogo pouco antes do atropelamento de Jean Cavalli, passageiro atingido por um motorista do aplicativo 99 pop após uma discussão. A assessoria da Polícia Civil informou que a retificação foi feita porque a conclusão de um suposto tiro que teria partido de Cavalli contra o motorista foi inconclusiva diante da baixa qualidade das imagens das câmeras de segurança no local. O caso aconteceu no dia 9 de dezembro do ano passado, no bairro São Braz, em Curitiba, e a correção do laudo foi protocolada nesta quarta-feira (16).

Disse a assessoria da PC nesta quinta-feira (17): “Referente ao caso do 99pop, houve uma retificação do laudo com relação ao anterior. Os peritos retificaram a informação quanto a possível disparo de arma de fogo, considerando a baixíssima definição e a impossibilidade de pronunciamento categórico quanto à origem do clarão observado”, afirmou em nota.

Jean foi atropelado e se recupera em casa com sequelas – Foto – Arquivo pessoal

A primeira versão do laudo, divulgada na segunda-feira (14), sugere que o passageiro, envolvido em uma briga com um motorista de aplicativoteria atirado contra o carro antes de ser atropelado. Para chegar a esse resultado, o documento analisou as imagens de câmeras de segurança instaladas no local da ocorrência, na Rua Antônio Escorsin, no bairro São Braz.

Na ocasião, Jean Ricardo Martins Cavalli sofreu traumatismo craniano e foi encaminhado ao Hospital Evangélico em estado grave, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele já recebeu alta e está em casa, mas depende do cuidado constante de familiares.

Procurada pela reportagem na tarde da última segunda-feira, a própria Polícia Civil já informava que o laudo do Instituto de Criminalística seria inconclusivo e que as investigações continuam.

Do outro lado, a defesa do condutor, Rafael Antonicomi da Silva, acredita na hipótese revelada pelo primeiro laudo. “A análise das câmeras trouxe novas informações, de que houve disparos de arma de fogo provocados pela pessoa que desembarca do veículo. A nossa surpresa não é tão grande porque os órgãos policiais nos informaram que Jean já teria ficha criminal. Por isso, cremos que ele possa de fato ter atirado”, afirmou o advogado Igor José Ogar, que representa Rafael, na última segunda-feira.

Segundo ele, é difícil ver o momento do tiro sem uma análise mais aprofundada devido à qualidade das imagens. “O próprio relatório menciona isso. O perito diz que a gravação é ruim e em preto e branco. Apesar disso, o laudo aponta a hora em que é possível perceber uma espécie de clarão, que seria o disparo. O Rafael me relatou que não viu o tiro na ocasião, mas ouviu um barulho e ele achou que o passageiro tinha chutado o carro”, completou.

O advogado defendeu ainda que, independente se houve ou não disparo, Jean se atirou em direção ao veículo e Rafael não teve a intenção de causar o atropelamento. “A principal preocupação da defesa é a recuperação da saúde do Jean. A família do meu cliente lamenta muito o ocorrido e se encontra à disposição para colaborar no que for possível”, finalizou.

Momento do atropelamento foi gravado pro câmeras de segurança

Família de Cavalli

A irmã da vítima, Karin Martins Cavalli, ficou indignada com as declarações do advogado de Rafael. Ela nega que Jean possua uma arma e disse que ele não tem passagens pela polícia. “Nós ficamos sem saber o que dizer com tudo isso. Chega até a ser ridículo. Ele não tem antecedentes criminais nem nada, nunca fez mal a ninguém. Se ele tivesse uma arma, provavelmente se defenderia e não deixaria que o motorista o atropelasse. Essa versão deles é mentirosa”, comentou.

Karin também refutou a tese de que Jean se jogou na frente do veículo. “O advogado está tentando arrumar provas contra o meu irmão. O vídeo é claro, o motorista deu um cavalinho de pau e atropelou o Jean na calçada. A versão dele não tem cabimento”.

Estado de saúde

Após ficar internado na UTI em coma, Jean recebeu alta e já está em casa. A situação dele, porém, continua delicada, de acordo com Karin. “Ele precisa de medicamento, usa fralda, não fala, não anda, fica só deitado. Às vezes ele lembra das coisas e começa a chorar muito, às vezes ele esquece tudo… Ele depende de nós para tudo. Diante nisso, nós queremos justiça”, concluiu.

Clique AQUI  assista abaixo ao vídeo das câmeras de segurança que mostram o atropelamento.