(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

 

O Instituto de Criminalística do Paraná identificou duas marcas de tiros em um ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atingido na rodovia PR-473 entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no dia 27 de março. De acordo com a Polícia Civil, tudo indica que o atirador usou uma arma ‘da família do calibre 32’, possivelmente uma garrucha. Apesar dos detalhes divulgados, ainda não há uma suspeita sobre quem seria o autor do crime ou qual é a linha de investigação a ser tomada.

Um dos disparos pegou na lataria do ônibus e o outro em uma janela, com uma distância pequena entre eles. “Ocorreram dois impactos, causados por uma arma da família .32. Eu só consegui encontrar um projétil, que perfurou o veículo. O atirador estaria afastado a 18,9 metros da rodovia, em um ponto acima do veículo, talvez em um barranco ou em uma construção, não temos como precisar”, disse o perito criminal Inajar Antônio Kurowski, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (5).

De acordo com ele, a arma usada é considerada obsoleta, por ter saído de fabricação há muito tempo. “As pessoas geralmente têm uma garrucha, por exemplo, por coleção ou herança. Existem armas com bastante poder e outras mais ‘fracas’, como é o caso desta. Mas poderia ter sido pior, se fosse uma ‘forte’. Pelo ângulo do impacto, o tiro que parou na lataria de aço poderia transfixar e acertar a perna de alguém, enquanto o do vidro poderia atingir a cabeça de uma pessoa”, completou Kurowski. Ele ainda afirmou que é impossível dizer se o veículo estava parado ou em movimento no momento dos disparos.

Segundo o delegado-titular de Laranjeiras do Sul, Helder Lauria, apesar de ainda não haver uma linha de investigação definida, os resultados da perícia devem auxiliar na investigação. “Todas essas informações nos ajudaram a saber qual foi o calibre usado e, em caso de apreensão de armas, poderemos fazer o confronto. A ideia é voltar ao local onde o estampido foi ouvido pelos passageiros do ônibus e fazer mais diligências, além de registrar o depoimento de policiais e pessoas que estavam por ali. Nós estamos buscando a autoria e, a partir daí, saberemos o motivo. Por enquanto, não temos suspeitos”, finalizou.

As análises das imagens obtidas de uma câmera de segurança em um pedágio tiveram resultados inconclusivos sobre os disparos, devido à baixa qualidade e ao pouco material disponível. Os trabalhos da Polícia Civil continuam para identificar e localizar o autor dos disparos.