Dois policiais militares de Santa Catarina foram presos após serem acusados de cobrar R$ 500 mil para não prender José Oswaldo Dell’Agnolo, o “Lobo do Batel”, considerado um dos criminosos mais procurados do Paraná e que tinha mandado de prisão federal em aberto. As informações são do repórter Ricardo Vilches, da Ric RECORD.

A denúncia veio à tona após a captura do foragido, realizada na semana passada, em Itapema (SC). Antes da prisão oficial, Oswaldo relatou à Corregedoria da PM que havia sido abordado por dois policiais catarinenses que, em vez de detê-lo, fizeram uma proposta. “Quanto vale a sua liberdade?”
Segundo o depoimento, Oswaldo respondeu que valia R$ 500 mil, e o policial teria dito que “está bom”. O dinheiro, relatou o foragido, estava guardado em uma mala dentro do quarto do hotel onde se escondia.
A primeira abordagem no hotel
O caso começou quando um funcionário do hotel em Itapema percebeu que um hóspede havia recebido alerta de procurado pela Polícia Federal e Interpol. Ele informou que o homem havia mudado o nome e o visual. A Polícia Militar foi acionada e dois PMs subiram sozinhos ao quarto.
Testemunhas relataram que eles permaneceram 30 minutos no local e saíram sem prender ninguém.
Nove horas após a primeira abordagem, outra equipe policial chegou ao hotel, desta vez para cumprir o mandado de prisão. Com Oswaldo, foram encontrados valores que somam o equivalente a R$ 5 milhões.
Ele estava foragido havia quase duas semanas.
Dell’Agnolo é fundador da financeira The Boss, que teria desaparecido com quase R$ 1 bilhão de investidores. Pelo menos outras dez pessoas são investigadas por participação no esquema.
Dinheiro pago aos PMs desapareceu
O valor que teria sido entregue aos policiais militares, os R$ 500 mil, não foi localizado. Ambos os agentes foram detidos e são alvos de investigação da Corregedoria.
José Oswaldo Dell’Agnolo foi encaminhado para o Complexo Penal de Itajaí (SC), onde permanece preso.
O caso segue em apuração para identificar todos os envolvidos no suposto suborno e no esquema financeiro fraudulento.