Uma organização criminosa especializada em roubo de cargas, que agia em Curitiba e na Região Metropolitana, foi alvo de uma grande operação policial, nesta terça-feira (16). O que mais chocou os investigadores foi a constatação de que, entre os integrantes do grupo, estavam dois policiais militares — um da ativa e outro da reserva.

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Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Conforme a polícia, a investigação revelou uma estrutura bem montada, com divisão clara de funções, armamento pesado e até linguagem policial usada para despistar a polícia. A ação resultou no cumprimento de sete mandados de prisão, de um total de oito expedidos pela Justiça.

De acordo com a delegada Juliana Cordeiro, responsável pela operação, tudo começou com a identificação de um veículo utilizado em um furto de cargas. A partir desse carro, os policiais chegaram a um dos envolvidos, que trabalhava como segurança privado. Preso, ele acabou levando os investigadores a outros integrantes do grupo.

“Policiais descobriram primeiro um carro envolvido em um furto de cargas. A partir desse veículo, os policiais conseguiram identificar um dos autores, que trabalhava como segurança privado. O homem foi preso e pelos celulares dele, foram identificadas oito pessoas”

explicou a delegada Juliana Cordeiro.

Entre esses oito suspeitos estavam os dois policiais militares.

“Os dois também tinham envolvimento. Pelo que levantamos, o policial militar praticou esse assalto diretamente e juntamente com dois outros alvos que nós conseguimos identificar”

afirmou a delegada.

Durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu um verdadeiro arsenal: 764 munições de diversos calibres, três veículos, duas motocicletas, rádio comunicador, rastreador, uma carabina, duas pistolas e uma arma de pressão. O material reforça o alto grau de organização e o potencial de violência do grupo.

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Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Grupo organizado

Segundo a investigação, a quadrilha monitorava rodovias estratégicas da região.

“Era um grupo organizado, eles tinham divisão de tarefas, eles conversavam onde que eles iam se desfazer dos veículos que eles utilizavam nos assaltos, eles faziam monitoramento na BR, em Araucária, em várias regiões aqui, tentando ali encontrar um caminhão para que eles conseguissem realizar esse assalto”.

As conversas entre os criminosos aconteciam em um grupo de WhatsApp batizado de “Mercenários”, o que deu nome à operação.

“Eles tinham um grupo no WhatsApp que se chamava ‘Mercenários’, tanto que a nossa operação hoje se chama ‘Mercenários do Asfalto’, justamente por conta desse grupo do WhatsApp, onde eles faziam toda essa conversa. E eles inclusive tinham dois celulares. Um celular que usavam somente para cometer crime e um celular que era o celular que eles utilizavam para o dia a dia”

detalhou Juliana Cordeiro.

Outro detalhe que chamou a atenção da polícia foi o uso de códigos e expressões típicas das forças de segurança.

“O que a gente percebeu é que eles têm todo o linguajar policial. Então eles conversam ali entre eles, se chamando de ‘Steve’, que é um linguajar nosso, usando toda a conversa de policiais. E eles se chamavam de Steve-1, Steve-2 e Steve-3, para tentar burlar a investigação, para que a gente não conseguisse identificá-los, mas foi possível identificar todos eles”

concluiu a delegada.
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Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Corregedoria da PM apura crime

A Polícia Militar (PM) acompanhou a operação e confirmou que os dois policiais envolvidos já estão custodiados. Segundo o tenente-coronel Carlos, subcorregedor-geral da PM, medidas administrativas também serão tomadas.

“Os militares estaduais estão custodiados pela Polícia Militar à disposição da Justiça e paralelamente a Polícia Militar estará instaurando um procedimento administrativo para apurar a conduta dos mesmos. Nós temos que passar pelo devido processo legal, o direito da Defesa Contraditório, mas sim, se comprovado lá na frente que houve desvio de conduta por parte dos policiais, sim, A Polícia Militar poderá excluir os mesmos”

explicou o tenente-coronel Carlos, subcorregedor-geral da PM.

Ele reforçou que a corporação não vai acobertar desvios.

“A Polícia Militar está dando todo o apoio para a Justiça, que se eles tiverem culpa, eles vão ser responsabilizados. A melhor resposta que a polícia pode dar é responsabilizando eles, caso eles sejam culpados, e se forem culpados, excluindo eles da corporação”.