A Polícia Militar (PM) afastou dois policiais militares suspeitos de matar Rhuan Luiz Machado, de 20 anos, em Curitiba. O anúncio do afastamento foi feito na manhã desta sexta-feira (26), pelo coronel Antônio Zanatta Neto, chefe do Estado-Maior da PM.

“Eles estão afastados do serviço operacional, submetidos também, como já é praxe, a um exame psicológico para verificar as suas condições. E nós já estamos levantando, com o nosso serviço de inteligência, demais informações a respeito desse caso”, afirmou o coronel durante entrevista sobre o esquema de segurança das eleições neste domingo.

Rhuan morreu após confronto com policiais – Arquivo pessoal

A versão da PM para a morte dá conta de que policiais do 20º Batalhão foram acionados para atender a um achado de cadáver na região do Cajuru, na segunda-feira (22) e, durante o patrulhamento, localizaram alguns jovens em “atitude suspeita”. A polícia afirmou que, durante a abordagem, Rhuan atirou contra a equipe, que revidou.

Para a família, no entanto, essas informações não procedem. Parentes e amigos alegam que ele não tinha qualquer tipo de envolvimento com atividades criminosas. “Ele era muito tranquilo e trabalhador. Ajudava o pai pavimentando ruas e estava estudando, ele ia entrar na faculdade no ano que vem. O que eles fizeram foi muita injustiça, está doendo demais”, desabafou a irmã.

“Ele morreu como bandido”

A madrasta de Ruhan também comentou à reportagem que não consegue acreditar na versão da polícia. “Todo mundo aqui está revoltado. Na hora, o pai dele veio desesperado ver o que tinha acontecido, mas os policiais não deixaram nem ele ver o filho, eles expulsaram a família. Isso tudo foi de uma crueldade enorme”, lamentou.

De acordo com o meio-irmão do rapaz, Ruhan era uma pessoa muito alegre, que não tinha problemas com ninguém. “No domingo ele ainda me falou que queria casar, fazer faculdade… Ele levantava cedo todo dia para trabalhar e não mexia com arma, nem com droga. O meu quarto é do lado do dele, se ele fizesse algo assim eu com certeza saberia. É triste ele ter morrido como se fosse um bandido”.

O comandante da PM informou que um inquérito militar foi instaurado para investigar a conduta dos policiais.

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