O sargento da Polícia Militar Flavio Henrique Rodrigues da Silva é um suspeitos com mandado de prisão na “Operação Lei e Ordem”  deflagrada nesta terça-feira (14), pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba em parceria com a Corregedoria da Polícia Militar. Flavio Silva está foragido e outros três soldados foram presos. Todos são suspeitos de participação no assassinato de Reginaldo Bergamaschi, ocorrido no mês de março deste ano.

Imagens do vídeo com o momento da morte de Reginaldo

O sargento Flavio chegou a ser indiciado em 2017 pelo assassinato de um casal em uma churrascaria no bairro Rebouças, em Curitiba. Ainda assim, permaneceu na Polícia Militar respondendo a processo disciplinar com tornozeleira eletrônica. Quando ocorreu o crime do casal, Flavio era soldado e, mesmo respondendo a processo pelo duplo assassinato, foi promovido a sargento.

De acordo com o corregedor da PM, Tenente-Coronel QOPM William Kuczynski, todos os policiais suspeitos estavam afastados, dentro da lei. “Os policiais estavam afastados respondendo a procedimento disciplinar como manda a lei. Essa é a forma legal. Agora, foi deflagrada esta operação que é a PM respondendo á sociedade”, disse o corregedor. E ele falou sobre a promoção” A promoção se deu na forma legal. Ele angariou cursos e foi promovido”.

A operação

Na operação desta terça-feira, sete dos mandados de busca foram cumpridos em Curitiba e Região Metropolitana, três no Rio de Janeiro e um em Florianópolis. Dois soldados foram presos e um se apresentou no final da manhã. O sargento Flavio está foragido.

Delegado Tito Barrichelo ao centro e o Tenente-Coronel QOPM William Kuczynski, à direita – Foto Banda B

O crime

Reginaldo Bergamaschi foi assassinado no dia 25 de março deste ano no Bairro Uberaba, em Curitiba. A vítima que trabalhava com revenda de veículos e terrenos foi executada com tiros de fuzil calibre 556,  num primeiro momento. Ele dirigia um Jeep Compass quando foi emboscado na esquina das ruas Antônio Andriguetto e América da Costa Saboia. A vítima chegou a derrubar um muro na hora em que foi baleada (ver imagens aqui). Ao descer, o atirador usou uma pistola 9 mm e efetuou mais disparos.

A vítima já tinha sido alvo de outro atentado há três anos. Nesta terça, o delegado Tito Barrichello  não quis dar detalhes da motivação do crime.

“Estamos levantando a motivação, mas não vamos aqui julgar qualquer conduta da vítima, não nos cabe isso”, disse o delegado sem revelar a motivação.

O delegado disse que o carro usado no crime foi encontrado na casa do sargento Flavio dois dias depois do assassinato. “Era um carro locado em Florianópolis, inclusive já sabemos que fazia o pagamento da locação. No depoimento logo após o crime, o sargento Flavio disse não saber sobre as balaclavas que estavam no veículo, o combustível, a luneta própria para fuzil; ou seja, faltou com a verdade”, disse o delegado.

O sargento prestou o depoimento e, sem mandado de prisão, saiu da delegacia, rompeu a tornozeleira e fugiu. “Ele devia saber que sua prisão preventiva poderia ser decretada”, completou o delegado.

Nota da PM

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que colaborou com as investigações e que a Corregedoria tem atuado para esclarecer os fatos.

“A Polícia Militar colaborou com as investigações e tem total interesse em esclarecer todos os fatos envolvendo os policiais militares. A Corporação se reserva ao direito de não emitir juízo de valor antes da completa apuração das situações, mas de antemão não compactua com práticas ilegais feitas por seus integrantes, e se forem comprovadas as irregularidades, serão adotados os procedimentos internos cabíveis.”, diz a nota.