Foto: Divulgação DCE UFPR

 

Pelo menos quatro integrantes da Torcida Organizada Império Alviverde serão indiciados pela agressão contra um jovem de 26 anos em frente à Biblioteca Central da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Centro de Curitiba. A informação foi divulgada na tarde desta quarta-feira (10) pelo delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Uma das três linhas de investigação da Polícia Civil é a motivação política, já que a vítima usava boné do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e afirma que os agressores proferiram gritos em favor ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Em entrevista coletiva, Cartaxo explicou que a investigação já aponta de quatro a seis pessoas como autoras do crime. “Todos eles serão chamados para confirmação de identidade e posterior indiciamento. No momento, temos três hipóteses e queremos fazer a correta qualificação”, explicou.

Além do viés político, a polícia trabalha também com a hipótese de uma simples rixa no local e no sentido de violência praticada por torcidas organizadas. “Esse último é o mais relevante e mais perigoso sob o aspecto de estabilidade social. Nós não admitimos torcidas violentas e já temos a Demafe [Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos] constantemente envolvida em ações de combate a esse tipo de ação das organizadas. Se isso for constatado, vamos trabalhar para uma ação mais efetiva e concreta contra essa torcida”, disse.

O crime contra o rapaz de 26 anos aconteceu no começo da noite desta terça-feira (9). A vítima teve ferimentos na cabeça, foi socorrida pelo Siate e encaminhada para o Hospital Cajuru.

Ao G1 Paraná, o presidente da Império, Juliano Nicolosi, disse que ficou sabendo da confusão pelo Whatsapp e que não pode afirmar que os envolvidos são integrantes da torcida organizada. Ele também ressaltou que a torcida não tem nenhuma ideologia política, portanto, acha difícil que isso tenha sido o motivo da briga. A organizada ainda não se posicionou oficialmente sobre o ocorrido.

Repúdio

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná emitiu uma nota repudiando a agressão, afirmando que o motivo do ataque teria sido o fato do rapaz estar com um boné do MST. A nota diz que “eles resistirão à barbárie, ao fascismo e à violência. E que mais do que nunca, a democracia, o diálogo e a tolerância precisam prevalecer”.

Do mesmo modo, a Universidade Federal do Paraná divulgou uma nota de repúdio, lamentando o ataque, esclarecendo que a agressão pode ter ocorrido pelo posicionamento político do rapaz:

“A Universidade Federal do Paraná lamenta profundamente o ato de violência ocorrido em frente às suas dependências. Um membro da comunidade foi vítima de agressão física, aparentemente por seu posicionamento político. Ele já foi encaminhado para atendimento médico e não corre risco de morte.

Vidros foram quebrados na Biblioteca Central e na Casa da estudante universitária.A Pró-reitoria de Administração e a Superintendência de Infraestrutura prontamente foram acionadas e já tomaram as devidas providências para garantir a segurança no local e boletins de ocorrência foram registrados.

A UFPR repudia veementemente todo e qualquer ato de violência, de preconceito ou de discriminação e entende que os espaços universitários são ambientes de debate e do exercício de liberdade de opinião. Um espaço histórico e simbólico que deve se manter pleno da democracia e de continua resistência à intolerância, à violência e banidas as formas de opressão.”