Adilson Pereira da Silva prestou depoimento à polícia nesta quarta (Flávia Barros – Banda B)

Vítima do golpe que prometia viagens para a Terra Santa, o pastor Adilson Pereira da Silva contou à Banda B nesta quarta-feira (19) que comprou o pacote junto com outros 101 ‘irmãos’ da Igreja Aliança Bíblica de Avivamento (ABA). O pacote foi adquirido em Blumenau, Santa Catarina, e tinha custo de R$ 5,9 mil para Israel. Quem optasse, poderia ter a possibilidade de ir ao Egito com mais R$ 4 mil.

De acordo com Silva, a compra só começou a parecer suspeita cerca de duas semanas antes da viagem. “A gente já estava pronto para viajar quando o castelo começou a desmoronar. Era um sonho, mas ao acordarmos, a realidade era outra. Procuramos a operadora aqui no bairro Xaxim, em Curitiba, e inicialmente nos informaram que haviam tido um problema, questionando se poderiam fazer a viagem depois, o que nunca aconteceu. Infelizmente, perdemos tudo”, lamentou.

O pastor conta que os únicos valores ressarcidos foram aqueles feitos com a operadora de cartão de crédito, mas muitos outros fiéis acabaram sofrendo com outros problemas. Segundo a polícia, alguns idosos perderam mais dinheiro no golpe, já que forneceram números do cartão de crédito para a compra. “Eles se apresentam como pastores e se aproveitaram da boa fé. Acabou dando nisso: frustração e decepção”, concluiu.

Para o grupo da ABA, o pacote foi oferecido em agosto de 2018 e a viagem deveria ocorrer no mês de abril.

O delegado André Feltes, da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção (Delcon), alerta aos consumidores que tenham muita atenção antes de comprar um pacote de viagem. “É necessário certificar se a empresa que está prestando o serviço tem sede física e acompanhar avaliações em sites como Reclame aqui e Procon”, diz.

Golpe

Mais de mil pessoas podem ter sido lesadas, no esquema que teria levantado R$ 4 milhões.

Segundo as investigações, alguns pastores evangélicos ocupavam posições de destaque na quadrilha.

Os investigados frequentavam cultos e encontros cristãos para conquistar a confiança de fiéis e fazer a oferta de viagens, que sabidamente nunca aconteceriam. Além disso, realizavam ampla divulgação de seus serviços em redes sociais e propagandas televisivas.

Os envolvidos constituíram diversas empresas em nome de “laranjas” com o objetivo de lesar, especificamente, fiéis de entidades religiosas. O líder do grupo criminoso já havia sido preso no ano de 2015 ao aplicar o mesmo tipo de golpe.

A PCPR já identificou vítimas em vários estados, como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Roraima e Pará.