O Paraná teve 433 confrontos policiais, com 413 mortos e 109 feridos no ano passado. Os dados foram divulgados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta quarta-feira (22).

confronto bpchoque umbara
Homem morre em confronto com o BPCHOQUE no Umbará (Foto: Eliandro Santana – Banda B)

O levantamento foi elaborado de forma conjunta no MPPR pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e segue a nova política institucional de tratamento de dados nesta área, firmada em 2024, dentro dos preceitos estabelecidos pelo Conselho Nacional do Ministério Público

Se comparado com 2023, o número de mortes aumentou quase 18,7%. No ano anterior, foram 348 óbitos.

“Esse fenômeno do confronto que hoje nós já conseguimos enxergar, seja pela análise de dados ou pela literatura, é um fenômeno extremamente complexo. Então, fica difícil se estabelecer uma relação de causa e efeito para dizer o que pode ter causado um aumento em dado período temporal e cravar isso como uma causa suficiente para ter desencadeado esse resultado final”, considerou o promotor de Justiça Ricardo Casseb Lois, coordenador do Gaesp.

Além de apresentar o número total de confrontos e a relação de vítimas (fatais e feridas), o novo balanço inclui informações sobre a instituição e as unidade envolvidas, o horário em que houve o registro e o tipo de ocorrência, se o servidor estava ou não em serviço e um perfil básico das vítimas, incluindo dados sobre estar armada ou não.

“Esses números identificam uma ocorrência muito maior da Polícia Militar até pela natureza da atividade. Pela natureza ostensiva e porque é a polícia que é chamada no momento em que a ocorrência está em curso. Portanto, é natural que haja um número muito maior de ocorrências ligadas à Polícia Militar até em virtude do seu efetivo”, explicou o procurador de Justiça Cláudio Rubino Zuan Esteves, coordenador do Gaeco.

Todo o trabalho do Gaesp e do Gaeco vem sendo feito com a cooperação das instituições ligadas à segurança pública no estado: Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), Polícias Civil e Militar e Guardas Municipais. A ideia é alcançar, de forma conjunta, uma política interinstitucional ampla que tenda à compreensão dos fenômenos e à definição de novos protocolos de atuação. O que se busca, ao final, é a redução da letalidade em confrontos como um todo, tanto de civis quanto dos agentes de segurança pública.