Dois anos após o trágico assassinato da estudante de 23 anos, Mahara D’avila Scremin, o ex-marido, Enio Ivan Bertoncello, 34 anos, será julgado na próxima segunda-feira (15) durante um júri popular no Centro Cívico, em Curitiba. Ele é acusado de fraude processual e de homicídio qualificado por motivo torpe. Os pais de Mahara, Jonei e Cristiane Scremin, esperam que o ex-genro seja julgado com rigor e que a pena máxima seja aplicada.

Foto: Antônio Nascimento/Banda B

Em entrevista à Banda B, os dois contaram a dificuldade de retomar a vida após perder a filha caçula. “A Mahara era meu tudo. Nós éramos muito unidas, muito parceiras, então é um sofrimento imenso, pois ela era o elo de toda a família”, afirmou Cristiane Scremin.

A mãe relatou que já havia aconselhado a filha a não cultivar um relacionamento próximo com o ex-marido após o divórcio. “Eu falei para ela, durante os meses da separação, para tomar muito cuidado. Aconselhei a não dar esperanças, pois os dois continuavam a ir ao cinema juntos. Não existe separação amigável”, revelou.

O pai, Jonei Scremin, afirma que a família espera a pena máxima para o ex-genro, após perder a filha na noite do dia 31 de junho de 2017. “Ele era ciumento, mas não tínhamos conhecimento das brigas deles. Foi um segundo choque quando descobrimos que foi ele, uma pessoa que eu recolhi na minha casa e reconhecia como filho. Nós queremos a pena máxima no julgamento”, admitiu.

O júri

À Banda B, o advogado da família Scremin, Adriano Colle, revelou detalhes do crime e da denúncia oferecida à Justiça. “Foi um crime cruel. Ele a agrediu fisicamente, causando hematomas na mão direita, na clavícula, na coxa, no braço esquerdo e ainda cortou o pescoço da Mahara por duas vezes, causando nela um sofrimento além do necessário para consumação do crime”, explicou Colle.

De acordo com o advogado, a motivação do crime seria ‘o egoísmo’ e por não aceitar o fim do casamento. “Ele cometeu esse crime impelido pelo sentimento de posse da Mahara, por venenoso ciúme. Ele não queria deixá-la seguir a sua vida. Se ela não poderia ser dele, não seria de mais ninguém”, acrescentou.

Colle também ressaltou a premeditação do crime cometido por Enio. “Ele ficou em torna da residência, percebeu que um amigo estava com ela. Foi até uma farmácia, comprou luvas, máscara cirúrgica, voltou ao local e aguardou o amigo da ex ir embora. Enio cometeu o crime com o intuito de deixar apenas as digitais do outro homem no local, o incriminando”, contou.

A reportagem da Banda B tentou entrar em contato com a equipe de defesa de Enio Ivan Bertoncello, mas não obteve sucesso. O espaço continua aberto para quaisquer esclarecimentos.

Relembre o caso

Mahara foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Boqueirão, em Curitiba, na noite de quarta-feira (31). A universitária estava com dois cortes da faca no pescoço e a casa dela foi revirada. Ela morava sozinha em casa e foi encontrada por uma prima. Dentro da casa havia copos usados, pratos e talheres espalhados, que foram utilizados para a confirmação das digitais.

À época, o suspeito chegou a postar uma imagem de luto, no Facebook, e recebeu as lamentações de vários amigos. Enio confessou o crime dias depois. Mahara cursava Direito na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e estava no último ano.