Em meio a uma investigação que chocou Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e ganhou repercussão em todo o Paraná, o pai da menina de dois anos baleada na cabeça foi até a delegacia do município, nesta quinta-feira (15), para protestar, pedir Justiça e afirmar, publicamente, que é inocente. Abalado, ele contesta a versão apresentada pela Polícia Civil e diz estar sendo alvo de acusações injustas enquanto a filha luta pela vida no hospital.

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Foto: Tiago Silva/Ric RECORD/Colaboração.

Diante da delegacia, Deiqson Silva desabafou e afirmou, em entrevista ao repórter Tiago Silva, da Ric RECORD, que não aceita carregar a culpa por um crime que, segundo ele, não cometeu.

“Estamos tudo aqui para provar minha inocência e querer Justiça pela minha filha, né? Porque ela não merece passar por o que ela está passando, por culpa de uma fofoca ou uma calúnia que ‘ponharam’ em mim, minha filha está lá no hospital entre a vida e a morte. Uma inocente”

desabafou Deiqson Silva, pai da menina.

Ele também questionou a investigação que o aponta como suspeito de latrocínio relacionado à morte de um idoso de 72 anos, ocorrida dias antes do atentado.

“Eu estou sendo acusado de um crime, de latrocínio. O senhorzinho morreu e estão ‘ponhando’ toda essa calúnia nas minhas costas. Cadê as provas? Diz que no dia desse tal, desse suposto assalto, é cheio de câmeras. Cadê essa filmagem desse carro que assaltou? Esse carro passou por baixo, passou pela mercearia, pela mesma mercearia que filmou o meu carro?”

O pai da criança baleada também rebate um dos principais pontos da versão policial: a autoria dos disparos. Segundo Deiqson, não foi uma mulher quem atirou, como sustenta a Polícia Civil, mas sim um homem.

“Eu vi com meus próprios olhos, eu tenho prova. Eu, minha sogra e meu sogro estavam dentro do carro. Não foi a mulher, foi o cara que atirou. Foi um homem meio pardo, não era nem muito moreno, nem muito claro. Com a tatuagem no braço, ele arrancou do revólver, assim, lado a lado, assim, efetuou os disparos”

narrou a situação.
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Foto: Tiago Silva/Ric RECORD/Colaboração.

Tentativa de homicídio

A Polícia Civil de Bocaiúva do Sul afirma que a tentativa de homicídio foi praticada pela neta de um idoso que morreu após ser espancado.

De acordo com o delegado Bradock, a jovem teria prometido vingança ainda durante o velório do avô e comprado um revólver clandestino por R$ 3,5 mil no Terminal do Guadalupe, em Curitiba.

O alvo seria o motorista do carro, apontado como envolvido na agressão ao idoso, sem que a suspeita soubesse que havia uma criança no veículo. Durante o ataque, a menina foi atingida na cabeça e segue internada em estado grave. O outro ocupante do carro foi ferido no braço.

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Foto: Colaboração/ Banda B.

Idoso era agiota

Segundo a polícia, o idoso morto era conhecido na região por atuar como agiota e teria citado, antes de morrer, os nomes dos supostos responsáveis pelas agressões — entre eles, o pai da criança baleada.

Apesar da confissão atribuída à suspeita, ela ainda não foi presa. Enquanto isso, o pai da menina afirma que não vai recuar e promete continuar cobrando Justiça.

“Eu vou vir quantas vezes for preciso pra provar a minha inocência e por Justiça pela minha filha, porque isso não pode ficar assim”

desabafou o pai.