Corpo de mulher é encontrado ‘sentado’ em sofá; pai e filho são indiciados por feminicídio e tentativa de ocultação de cadáver

O corpo da vítima foi encontrado sentado no sofá da casa, coberto por um cobertor

Apuração Djalma Malaquias

Vinícius Marinaldo Mendes Martins e Walter de Lima Martins, pai e filho, foram indiciados pela morte de Priscila Almeida, no dia 6 de março, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O filho vai responder pelo crime de feminicídio, enquanto o pai responderá por fraude processual e tentativa de ocultação de cadáver.

Foto mostra corpo de Priscila Almeida, morta em 6 de março, coberto por um cobertor
Defesa alega que o suspeito não tinha condições de ajudar a vítima. – Foto: Colaboração/Banda B

Os suspeitos foram presos pela Polícia Civil após uma equipe da Guarda Municipal de Quatro Barras ser acionada, durante a madrugada do dia do crime, por um rapaz que relatou uma situação suspeita em uma residência próxima, no bairro Rio do Meio.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o corpo de Priscila Almeida no sofá da sala, coberto por um cobertor. Durante buscas no interior da casa, os agentes encontraram Vinícius Marinaldo dormindo, em estado de embriaguez e possivelmente sob o efeito de drogas. O suspeito possuía um mandado de prisão em aberto por roubo e era considerado foragido desde o ano de 2023.

Vinícius alegou aos policiais que Priscila teria passado mal durante a noite. Ele teria tentado ajudar a mulher, mas ela acabou falecendo; ele, então, decidiu colocar um cobertor sobre o corpo e voltar a dormir.

Ainda de acordo com a polícia, Walter de Lima, pai de Vinícius, teria oferecido R$ 1 mil um rapaz desovar o corpo da vítima em um córrego em Piraquara. A testemunha, no entanto, recusou a proposta e acionou imediatamente a Guarda Municipal, resultando na prisão em flagrante dos suspeitos.

Defesa contesta indiciamento

O advogado que representa o pai e o filho, Caio Percival, contestou o indiciamento dos suspeitos, alegando que a investigação ainda está em fase preliminar.

“Trata-se de um indiciamento precoce, antes mesmo do aporte do laudo de necropsia, e que vai na contramão da boa técnica jurídica. O delegado de polícia, que é muito novo na cidade, na ânsia de mostrar serviço, exige de Vinícius, que também quase morreu pelo uso de entorpecentes, que socorresse sua companheira. Para exigir um comportamento deste, é bom que se diga, o indivíduo tem que ter possibilidade de agir, coisa que o Vinícius, pelo seu estado de entorpecimento, não tinha. Foi uma morte acidental, onde ambos estavam jogando com a morte”

afirmou Caio Percival.

Vinícius Marinaldo Mendes Martins, de 31 anos, foi indiciado pelo crime de feminicídio, suspeito de ter deixado de prestar socorro à vítima.

Walter de Lima Martins, de 53 anos, foi indiciado pelos crimes de fraude processual e tentativa de ocultação de cadáver, por tentar alterar o local do crime e pela tentativa de remover o corpo da casa antes da chegada da polícia.

A defesa dos suspeitos ressalta que o indiciamento é um ato administrativo da autoridade policial, que não representa condenação nem antecipação de culpa, cabendo agora ao Ministério Público analisar os autos e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.

“Iremos tratar de tudo isso no processo e desfazer esse nó interpretativo”

disse o advogado.

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