Uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) transformou a pequena cidade de Ortigueira, nos Campos Gerais do Paraná, em base estratégica para o tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e ações violentas que espalharam medo pela região. Fortemente armada e com atuação organizada, a facção é apontada pela polícia como responsável por uma onda de crimes que aterrorizou a população.

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Organização criminosa transforma pequena cidade do Paraná em palco de terror. (Foto: Reprodução Ric RECORD).

Localizada às margens da BR-376, com acesso facilitado a diferentes rotas do estado, a cidade que tem aproximadamente 25 mil habitantes se tornou ponto central das atividades da quadrilha. As informações são da Ric RECORD.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo não apenas dominava o tráfico de drogas em Ortigueira, como também buscava garantir o monopólio da atividade criminosa por meio da violência na região.

“Essa organização criminosa tem como crime principal o tráfico de drogas e praticava vários outros crimes para garantir o monopólio do tráfico de drogas no município de Ortigueira. Utilizavam-se várias vezes de violência e também fizeram várias vítimas. Já tentaram até contra a vida de policiais militares no município”

disse o delegado João Paulo Martins, em entrevista à Ric RECORD.

Apontado como ‘dono’ do tráfico na cidade, o grupo exercia influência em toda a região dos Campos Gerais. A polícia acredita que a expansão poderia atingir outros centros urbanos.

Tráfico e comércio de armas

As investigações revelaram que a quadrilha operava com duas principais engrenagens: o tráfico de drogas e o comércio de armas. Conversas interceptadas pela polícia e obtidas com exclusividade pela Ric RECORD mostram negociações envolvendo transporte e venda de armamentos, como fuzis AK-47 e T4.

Armas de grosso calibre eram utilizadas em ações conhecidas como “novo cangaço”, quando grupos criminosos fecham determinada cidade para atacar agências bancárias ou empresas de valores, além de ameaçar a população.

Pegou tiro na minha casa e a dinamite estourou“, relatou um morador da região. “Escutei muito barulho. Parece que quebrava muita coisa. Depois uma bomba balançou a casa inteira“, contou outra moradora.

Além do armamento pesado, a facção mantinha rígido controle sobre o tráfico de drogas na região. Relatórios da investigação apontam que a organização determinava preços, volumes e até padrões de qualidade dos entorpecentes vendidos.

Em uma das conversas interceptadas, um usuário reclama da qualidade da cocaína comprada anteriormente. “Tava pegando uns pino acetonado. Eu comprei e minha mulher passou mal. E a mulher de um amigo também“, escreveu. O traficante respondeu garantindo a procedência do produto: “Tudo qualidade boa“.

Hierarquia da organização criminosa

No topo da organização estava o líder conhecido como “Fantasma” e apontado nos relatórios policiais como a principal autoridade da facção em Ortigueira. Todas as decisões passavam por ele. Abaixo, estavam os demais integrantes da quadrilha.

Campeão” era descrito como o braço direito de Fantasma, atuando diretamente no tráfico, realizando cobranças e executando ordens da liderança. Documentos também o apontam como executor em ações armadas.

Quando surgiam suspeitas de adulteração, os chamados ‘gerentes’ eram acionados para investigar e cobrar explicações dos responsáveis pelos pontos de venda. A disciplina interna era uma das marcas do grupo.

Uma mulher integrava a estrutura com a função de manter a disciplina interna, apurar conflitos, identificar irregularidades e reportar tudo à chefia.

A hierarquia imposta por Fantasma está ligada, segundo a polícia, a pelo menos dois homicídios em Ortigueira. As vítimas, adolescentes, teriam sido perseguidas e executadas por descumprirem ordens da organização.