Ex-prefeito de Itaperuçu e atual pré-candidato à Prefeitura de Rio Branco do Sul, na região metropolitana de Curitiba, Neneu Artigas é investigado por envolvimento em um esquema que pode ter fraudado licitações que ultrapassam mais de R$ 15 milhões. Político foi alvo de uma operação da polícia na manhã desta quinta-feira (13).

De acordo com a Polícia Civil, investigações de alta complexidade apontaram que quatro empresas estariam agindo em conluio com uma servidora pública da Câmara Municipal de Itaperuçu para coordenar um “rodízio” nos lotes vencidos em procedimentos licitatórios junto à prefeitura do município.

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O ex-prefeito de Itaperuçu, Neneu Artigas – Foto: Divulgação

O delegado Gabriel Fontana explicou que as empresas investigadas seriam representadas, por meio de uma procuração, pela mesma servidora da Câmara nos procedimentos licitatórios a fim de fraudar o caráter competitivo dos certames.

Segundo o delegado, as empresas passavam uma procuração para a servidora atuar em nome delas no procedimento licitatório, apesar de ela não ser sócia ou dona dos estabelecimentos.

Além das quatro empresas, foram alvos de mandados de busca e apreensão a sede da Câmara Municipal de Itaperuçu e a prefeitura da cidade. Fontana não revelou os nomes dos envolvidos.

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O delegado Gabriel Fontana durante coletiva de imprensa nesta quinta (13) – Foto: Djalma Malaquias/Banda B

“De 2022 até agora, foram analisados cinco contratos que ultrapassam o valor de R$ 15 milhões em fraude. Durante o cumprimento dos mandados, cerca de R$ 167 mil em espécie foram apreendidos na casa de um dos empresários”, acrescentou.

Uma das empresas investigadas pela polícia é apontada como uma possível “laranja” do ex-prefeito de Itaperuçu, Neneu Artigas, a qual ele teria favorecido em contratações emergenciais.

Antes de deixar o cargo de prefeito de Itaperuçu para disputar a Prefeitura de Rio Branco do Sul, Artigas teria assinado um contrato no valor de R$ 4,5 milhões. A Banda B tenta contato com Neneu Artigas, e o espaço segue aberto.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, crimes contra licitações e contratos administrativos, corrupção passiva, peculato e falsidade ideológica.

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Itaperuçu afirmou que a operação policial foi “originada por uma denúncia anônima de fraude” e que o atual prefeito da cidade, Edilson Macadame, não é citado nas investigações. “O foco da apuração são empresas que supostamente teriam combinado preços nas disputas licitatórias”, diz trecho da nota.

A administração do município também destacou que irá aguardar o andamento do inquérito para prestar mais esclarecimentos. “A Procuradoria Geral do Município irá solicitar acesso ao processo para acompanhar de perto as investigações e colaborar com as autoridades”, completou.

O que diz a Câmara Municipal

Em comunicado divulgado em uma rede social, a Câmara Municipal de Itaperuçu disse que a operação foi cumprida somente na sala de uma servidora. “[…] Foi cumprido mandado de busca e apreensão, única e exclusivamente, na sala de uma servidora para apreensão de documentos, cujo objetivo da ordem não possui nenhuma relação com o presidente, com os demais membros da diretoria, com quaisquer outros vereadores ou demais servidores do Legislativo Municipal”, diz trecho da nota.

A Casa destacou ainda que irá “tomar as providências a fim de apurar, no âmbito administrativo, os fatos apontados pela investigação criminal”.

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Ex-prefeito de Itaperuçu é investigado por esquema que pode ter fraudado mais de R$ 15 milhões em licitações, diz polícia

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