A seccional paranaense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) afirmou que vai apurar a conduta do advogado envolvido na suposta falsa operação policial realizada pelo deputado estadual do Paraná Tito Barichello (União). Armado com um fuzil, o parlamentar licenciado da Polícia Civil tentou cumprir um mandado de prisão contra o empresário Cláudio Talamini na última quinta-feira (21), em Curitiba (PR).

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tito Barichello aparece armado e usando um colete à prova de balas da Polícia Civil do Paraná em frente à casa onde a suposta ordem judicial seria cumprida. A esposa do deputado, a delegada Tathiana Guzella, também aparece nas imagens. Ela está afastada da Polícia Civil devido ao trabalho que exerce no gabinete do deputado federal Felipe Francischini (União-PR).

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O deputado estadual Tito Barichello – Foto: Orlando Kissner/Alep

“Estamos trabalhando porque buscamos o cumprimento de mandado de prisão especificamente relacionado a um grande advogado aqui de Curitiba, que foi vítima aparentemente de uma tentativa de homicídio”, disse o parlamentar ao se referir ao advogado Igor José Ogar, que terá sua conduta apurada pela OAB-PR.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (25), a seccional do Paraná da OAB se referiu à ação como “operação policial simulada”. “Diante dos fatos, a OAB Paraná comunica que tomará todas as providências para o esclarecimento do papel do advogado e para abrir, se for o caso, processo disciplinar salvaguardado pelo sigilo”, diz a nota assinada pela diretoria do órgão.

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O advogado Igor José Ogar, inscrito na OAB desde 2012 – Foto: Reprodução/LinkedIn

O que diz o advogado

Procurado pela Banda B para comentar o caso, o advogado Igor José Ogar disse que não há desvio de conduta em sua postura e afirmou ter sido vítima do empresário que seria alvo do suposto mandado de prisão. Leia a nota na íntegra abaixo:

“Não há o que se falar em desvio de conduta ética ou moral, pois fui vítima de uma grave ameaça e corria risco eminente de morte (conforme provas robustas que mantiveram a prisão do agressor, a qual já passou pelo crivo de dois promotores e três juízes em recursos diversos e todos decidem pela manutenção da prisão em razão desta trama macabra). Na qualidade de PARTE VÍTIMA, fiz tudo que estava ao meu alcance para defender minha vida, e se necessário faria novamente.

Acredito que a preocupação maior da entidade de classe ainda que eu só fosse o advogado e não a vítima de fato deve principalmente se preocupar em proteger os advogados que são ameaçados no exercício da função, pois ultimamente perdemos uma colega advogada em Natal / RN e também um advogado no Rio de Janeiro/ RJ que não tiveram a mesma sorte ou postura que a minha.

As informações falsas e mentirosas ditas e veiculadas a imprensa a respeito dos fatos também devem ser objetos de apuração pela OAB/PR que fará sem dúvida um excelente trabalho neste sentido.”

Corregedoria da Polícia Civil investiga o caso

Corregedoria da Polícia Civil do Paraná afirmou que está investigando a suposta falsa operação policial realizada por Tito Barichello, que usou uma farda da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) durante o episódio. O parlamentar está afastado da corporação desde as últimas eleições.

O empresário alvo do mandado, Cláudio Talamini, informou que a ação foi realizada na casa dos pais dele. “Eles foram na casa deles às 19h30, armados com fuzil. Minha filha, de cinco anos, está até agora tremendo. É uma loucura!”, disse ele no dia seguinte à operação.

Talamini se apresentou ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil na sexta-feira (22), onde ficou detido por descumprir medida protetiva contra a mãe do filho dele. Ele nega qualquer tentativa de homicídio contra o advogado pelo deputado.

O que diz Tito Barichello

À Banda B, o deputado estadual negou que a ação foi irregular e defendeu que sua ida à casa do empresário foi motivada pela “urgência”. “Como deputado e delegado de polícia que continuo sendo, meu trabalho, além de legislar, é acompanhar e defender a sociedade. Jamais vou me furtar disso. Todos sabem que, enquanto delegado, eu era operacional e jamais vou deixar de agir”, disse, no sábado (23).

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OAB vai apurar conduta de advogado envolvido em suposta falsa operação policial de Tito Barichello

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