A Polícia Civil prendeu em flagrante o homem suspeito de matar duas pessoas na madrugada desta quinta-feira (12), em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (RMC). Trata-se do irmão de Ladymara da Cruz Gonçalves Cordeiro, que foi uma das vítimas. Segundo a polícia, a filha de oito anos do casal foi quem denunciou o tio para as equipes. A reviravolta no caso descarta a possibilidade de um “justiceiro misterioso”, visto que a suspeita inicial da Polícia Civil era que Altair Robson Barbosa poderia ter matado a própria esposa e sido assassinado na sequência.

Marido mata esposa e é assassinado por justiceiro misterioso minutos depois em Campo Largo

O delegado Nasser Salmen, da Central de Flagrantes, explicou que o irmão de Ladymara saiu do local logo após o crime, levando os três filhos do casal para a casa da própria mãe, em Piraquara (RMC). Em seguida, o suspeito teria encontrado a tia das crianças e confessado que matou Altair.

“Em tese, ele seria o bonzinho da situação. Ele teria presenciado o Altair matando a irmã e, ele para se vingar da irmã, teria matado o cunhado e protegido as crianças levando elas para a casa da vó. Mas na verdade, a menina de oito anos, filha do casal assassinado, presenciou tudo e ela nos contou que viu o tio esfaqueando, primeiro, o pai. A mãe foi defende-lo e ele acabou acertando a mãe no abdômen”, disse à Banda B.

 

Justiceiro misteriosos levou os filhos do casalFoto: Banda B

 

A mesma versão foi dada aos policiais durante uma vídeo conferência. O delegado afirmou que quando ouviu a situação, já pressupôs que ele teria matado os dois. “Eu disse que tinha testemunhas e ele insistiu na mesma versão. No entanto, pouco tempo depois o irmão confessou o crime”, detalhou.

Motivação

De acordo com o delegado, o rapaz se mostrou muito frio durante o depoimento. Ao ser questionado sobre a motivação do crime, Salmen disse que o suspeito não explicou adequadamente o porquê. “Ele foi muito tranquilo. Eu não sei se há um aspecto mental neste contexto porque o suspeito afirmou que o Altair segurava uma navalha e simulava que iria o cortar. Ele ficou meio temeroso, sufocado e fez isto”, pontuou.

A polícia ainda soube que ele morava com o casal porque se separou da esposa após descobrir uma traição. Ele era pai de uma menina de dois meses.

O irmão de Ladymara está à disposição da Justiça.

Crianças

As crianças ficaram com a vó e a tia em Piraquara. Apesar de estarem sob segurança, o delegado foi enfático ao dizer que o caso delas será analisado. “Elas estão abaladas emocionalmente porque presenciaram os pais sendo mortos a facadas pelo tio. Isto é horrível. A vó e a tia estão muito tristes porque perderam a filha e a irmã. Vamos acionar e ver o Conselho Tutelar para verificar como irá ficar a situação delas”, comentou.

Outro lado

A outra irmã do autor e da vítima disse que não acredita na versão da polícia. “Ele estava transtornado, sofre de ansiedade, tem esquizofrenia. Meu cunhado e minha irmã viviam brigando e eu tenho certeza que ele foi separar os dois. Acredito que minha irmã tenha ido separar os dois e levou uma facada na barriga. A menina viu eles brigando porque realmente estavam, ele confessou que atingiu ela. Mas, eles eram muito juntos, está revoltante porque ninguém sabe de nada e fala um monte de inverdades. Foi uma briga, ele não teria coragem de matá-la, assim”, defendeu Leoni da Cruz Gonçalves.