Acusado de espancar o músico Felipe Amadeu Cândido Duarte em Curitiba, Rilei Silva Alves será julgado pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (12). O crime aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2017, na Rua Trajano Reis, no Centro. Tanto vítima, quanto agressor, são rappers e acusação e defesa divergem sobre os motivos que levaram à briga. Na ocasião, Felipe ficou internado por 28 dias e passou por um procedimento de reconstrução do crânio.

Foto: Divulgação TJPR

De acordo com o advogado Rodolfo Herold Martins, que atua no processo como assistente de acusação, a expectativa é de condenação. “É um caso de extrema gravidade e praticou este ato contra o Felipe sem qualquer possibilidade de defesa. Logo nas primeiras agressões, a vítima ficou desacordada e a gente espera que a condenação represente justiça, com uma pena que seja condizente com o ato”, explicou.

A defesa também admite que um crime aconteceu na ocasião, mas quer demonstrar que o caso se trata de uma lesão corporal grave e não de uma tentativa de homicídio. De acordo com o advogado Maurício Zampieri de Freitas, Rilei deixou o local de ‘livre e espontânea’ vontade. “O Rilei conta que procurou o Felipe e que ele teia dado risada, aí aconteceu a briga. A vítima ainda teria tentado fazer uma guarda, mas o Rilei foi mais rápido. Vamos pedir que a condenação seja por lesão corporal gravíssima, que é o que aconteceu na situação”, disse.

Motivação

Um dos pontos que deve ser bastante relevante na discussão em plenário é a motivação do crime. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Felipe estaria tendo um relacionamento com a ex-esposa de Rilei e o crime teria o ciúmes como causa.

Zampieri, porém, afirma que o envolvimento de Felipe com as drogas seria o real motivo da briga. “A versão do MP-PR diverge de duas testemunhas e do acusado. Eles afirmam que Felipe seria usuário de crack e maconha e estaria fazendo uso na frente do filho de Rilei, que tem apenas quatro anos. O réu avisou que faria isso para reprimir. A versão cai ainda mais por terra quando percebemos que o Rilei já havia se relacionado com duas amigas da ex e estava em um terceiro relacionamento”, afirmou.

A assistência de acusação, por sua vez, quer mostrar que Rilei é uma pessoa violenta. “É uma pessoa que a gente considera que qualquer motivo é motivo para ele fazer algo assim”, concluiu.

O júri está marcado para começar às 13 horas, no Centro Cívico.