A mulher suspeita de agredir uma professora umbandista em Curitiba (PR), no último domingo (17), deve ser indiciada por intolerância religiosa e lesão corporal. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, a suspeita será intimada para prestar esclarecimentos na delegacia.
“Já ouvimos a vítima e foi instaurado inquérito policial para apurar os fatos. A suspeita deve responder por intolerância religiosa e crimes de lesões corporais, visto que a vítima foi agredida violentamente. A vítima já foi ameaçada pela autora”, disse o delegado Ronaldo Ivanick.
A vítima é professora da rede municipal da capital paranaense e afirma ter sido espancada na entrada do apartamento em que vive, no bairro Sítio Cercado. O crime teria sido cometido por uma vizinha, após a professora retornar de um passeio com seus cães.

“Essa senhora abriu a porta dela e gritou: ‘Queima’. Depois, fechou a porta. Eu desci com os meus cachorros e olhei para ela, mas fiquei com o coração apertado. Cheguei até comentar com o porteiro. Disse que estava com medo de algo acontecer. Expliquei que era umbandista e estava sendo perseguida”, disse a professora à Banda B.
Ao chegar novamente no apartamento, a mulher teria sido surpreendida pelos vizinhos. A suspeita pelas agressões teria gritado: “Queima, satanás”. Em seguida, ambas passaram a discutir e houve a suposta agressão.
“Eu questionei: ‘Escutem! Vocês sabem que discriminação religiosa é crime?”. A menina desferiu o soco em mim e falou: ‘Vamos ver se é crime mesmo’. Em seguida, já veio me dando socos. Nisso, a minha filha apareceu e tentou me ajudar. Ela bateu na minha filha. O soco que ela me deu fez jorrar sangue para todos os lados. Eles trincaram o meu nariz, e a mãe da mulher que me agrediu dava risada. A outra filha que ela tem também. E ainda disseram: ‘Vai ter mais'”.

Após as agressões, diz a professora, a Polícia Militar (PM) foi acionada, mas a suspeita não foi encontrada. A educadora afirmou à Banda B já ter ouvido frases preconceituosas dos vizinhos em outras ocasiões, tais como: “Eu tenho nojo deste apartamento do satanás”; “não pise aqui” e “não pise aí, que é macumba”.
Vizinha nega
A mãe da mulher acusada de agredir a professora negou que o episódio tenha sido motivado por intolerância religiosa. Em entrevista à Banda B, disse que a agressão foi motivada por um empurro supostamente dado pela professora.
Segundo a mãe da suspeita, a professora se incomoda com o barulho que os netos dela fazem ao passar pela escada do prédio.
“Ela se incomoda com o barulho, bate a porta, chama as crianças de capeta. Nesse domingo, ela chamou a polícia dizendo que estávamos falando mal da religião dela, o que não é verdade. Tenho uma neta que também é da Umbanda. Minha filha foi questionar ela e dizer que não tinha nada a ver com intolerância religiosa, que ela é quem estava de ignorância. Quando ela disse isso, a professora deu um empurrão na minha filha e derrubou minha neta, foi por conta disso que as duas acabaram brigando”, relatou a mulher.
Crimes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em janeiro uma lei que tornou mais severas as penas para crimes de intolerância religiosa – ato de discriminar e ofender religiões, liturgias e cultos, ou ofender, discriminar e agredir pessoas por conta de suas práticas religiosas.
A lei, agora, prevê pena de 2 a 5 anos de prisão. A pena também pode ser aumentada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
O número de denúncias relacionadas a intolerância religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano. Em 2022, o País registrou 1,2 mil ocorrências, ou seja, uma média de três casos por dia.
Já o crime de lesão corporal pune a conduta de alguém ofender a integridade física ou a saúde de outra pessoa. O delito possui diferentes tipos, que vão desde leve à seguida de morte, por exemplo. No caso da professora, a Polícia Civil deve apurar qual tipo de lesão corporal ela sofreu.
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