A RIC RECORD teve acesso exclusivo aos prontuários médicos que detalham os últimos dias de Silvana de Bruno, 66 anos, que morreu após complicações graves decorrentes de procedimentos estéticos feitos por um estudante de biomedicina, de 21 anos, suspeito de atuar como falso biomédico em Curitiba.

A relação entre Silvana e Erick começou em maio de 2025, quando ela passou a procurar o jovem para procedimentos estéticos. A lipo de papada teria sido uma das primeiras intervenções realizadas. Em setembro, Silvana se submeteu a uma lipoenxertia nas mamas, técnica que utiliza a própria gordura da paciente para aumentar o volume dos seios.
Esse tipo de cirurgia só pode ser feito em ambiente hospitalar e por profissionais habilitados. No entanto, segundo a investigação, ambos os procedimentos foram realizados dentro do escritório de Erick, sem qualquer estrutura adequada.
Quadro de saúde se agrava
Dias após a lipoenxertia, Silvana começou a sentir dores intensas e apresentar sinais de infecção. Quando foi levada ao hospital, Erick teria se identificado como “enfermeiro e primo” da vítima, conforme consta no prontuário.
Os documentos mostram que, na chegada ao pronto atendimento, Silvana recebeu antibióticos para tratar infecções bacterianas e corticóides. A triagem apontou pressão baixa, taquicardia e a abertura de um protocolo de sepse, indicando risco de infecção generalizada.
Infecção avança e há indícios de necrose
No dia seguinte, Silvana foi internada na UTI, sem acompanhantes. Os registros mostram que ela apresentava falas confusas, inchaço acentuado nas mamas e sinais de que a infecção já havia atingido tecidos musculares, com indícios de necrose.
A equipe médica tentou contato com familiares da paciente, mas, segundo o prontuário, Erick se recusou a fornecer números de parentes. O único telefone registrado era o dele, e as tentativas de contato não foram atendidas.
Cirurgia de emergência
Com o quadro rapidamente se agravando, os médicos decidiram realizar uma cirurgia de emergência para conter a infecção. Mesmo com todos os esforços, Silvana não resistiu.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas, reunindo prontuários e analisando outros possíveis atendimentos que possam ter sido realizados pelo falso biomédico, que foi indiciado por homicídio qualificado.