O caso da mulher que atirou contra o próprio marido em Curitiba ganhou um desfecho: a Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu que ela agiu em legítima defesa e o homem foi indiciado por lesão corporal e violência doméstica contra a esposa.

Imagem mostra o dia em que a mulher atirou contra o marido em Curitiba. A rua está escura e as imagens são preta e branca. Uma ambulância está na rua.
Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu que a mulher agiu em legítima defesa ao atirar no marido em Curitiba. Foto: Reprodução/Ric RECORD

Mesmo após a concessão de medida protetiva, o suspeito teria voltado ao imóvel onde o casal morava. Segundo informações da investigação, ele tentou retirar câmeras de segurança da residência. A mulher já não está mais na capital paranaense. As informações são da Ric RECORD.

Desde o início, a vítima relatava que sofria agressões físicas do marido, que era lutador e trabalhava como caminhoneiro, além de ameaças de morte. Em entrevista à Ric RECORD, ela revelou detalhes do episódio que terminou com um disparo de arma de fogo.

Vítima foi recebida em casa com chutes e xingos

Segundo a mulher, um dia antes do ocorrido, ela havia avisado o marido que iria ao desfile da filha. O homem comentou que queria ir a uma pizzaria, mas concordou em deixar o passeio para outro momento.

Até então, “estava tudo certo”, segundo a vítima. No entanto, ao retornar para casa após o desfile, a situação mudou drasticamente.

“Ele foi correndo, já meteu o pé no portão, começou a xingar minha filha e o marido dela”

relatou a vítima.

Mulher foi espancada antes de atirar contra marido

Pouco depois, a discussão terminou com um tiro na barriga do homem, que foi socorrido em estado grave. Ela afirmava que havia sido espancada por ciúmes, jogada no chão e arrastada pelos cabelos.

Foto montagem mostra a mulher ferida. Ela atirou contra o marido em Curitiba para tentar se proteger de agressões físicas. Ela é uma mulher branca e loira. Está ferida, arranhada.
Mulher que atirou contra marido em Curitiba agiu em legítima defesa. Foto: Reprodução/Ric RECORD

“Me catou pelos braços, me jogou no chão. Não sei como, mas ele me jogou no chão. Quando eu caí, eu me ralei e, no chão, ele catou meu cabelo e me arrastou. Foi a hora que ralei o rosto”

contou sobre a noite do tiro.

Inicialmente, o homem negou as agressões e alegou que a mulher teria se machucado sozinha após perder o equilíbrio porque estaria bêbada e usando salto alto. Porém, a investigação apontou outra versão.

Vítima atirou quando o homem tentou novas agressões

Dois meses depois, a polícia concluiu que a mulher falava a verdade desde o começo e que o disparo ocorreu para impedir uma agressão ainda mais grave, confirmando que a vítima agiu em legítima defesa para não morrer.

Outro ponto que reforçou a conclusão da polícia envolve a arma usada no disparo. Segundo o homem, a mulher só não teria atirado novamente porque a pistola falhou. Entretanto, a investigação apontou que a arma estava funcionando normalmente e que 12 munições permaneceram intactas.

“Eu pensei em esconder a arma. Nisso que eu catei a arma, eu fui pra esconder e dei de cara com ele. Ele veio pra cima de mim de novo. Foi aí que eu dei um tiro, ele já caiu”

explicou o caso.

Fotos anexadas ao inquérito, segundo a polícia, mostram marcas compatíveis com agressões e indicam que a mulher foi arrastada dentro da casa. Além disso, o portão do imóvel apresentava sinais de pancadas.

Depoimento do filho do casal foi decisivo

O depoimento do filho do casal, de apenas 9 anos, também reforçou a versão apresentada pela mãe. O menino presenciou as agressões e contou à polícia o que viu na noite em que a mulher atirou contra o marido.

“Meu pai pegou minha mãe pelo cabelo e a minha mãe disse: ‘Você está louco?’, aí meu pai empurrou minha mãe bem forte. Eu acho que a minha mãe pegou a arma porque meu pai tinha arrastado ela pelo cabelo e a minha mãe ficou com medo dele.”

disse a criança em depoimento.

Ameaças frequentes e falta de apoio

A vítima afirmou ainda que as ameaças eram frequentes. “Ele falou que ia me matar. Me xingou de vagabunda e tudo. Antes, ele já me ameaçava”, afirmou a mulher.

Segundo ela, após o caso, muitas pessoas passaram a atacá-la e até inventaram mentiras sobre a situação. “Agora estou provando. Está saindo toda a verdade que eu sempre falei pra todo mundo.”

Além disso, a mulher desabafou sobre a falta de apoio após o episódio, contando que as pessoas preferiram defender o marido dela, entretanto, agora a verdade veio à tona.

“Ninguém se importou comigo, se eu estava machucada, como eu estava. Simplesmente quiseram defender ele com unhas e dentes porque era parente, porque era amigo. Agora estou aqui para provar”

desabafou.

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