Josiane Borges de Almeida, de 30 anos, que atirou contra o marido policial, foi absolvida por legítima defesa, em julgamento no Tribunal do Júri, nesta terça-feira (6), em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A mulher foi presa em flagrante após confessar que teria atirado três vezes contra o marido, mas respondia em liberdade pelo crime, cometido no dia 26 de agosto de 2014.

PM foi morto pela esposa (foto: Reprodução Giro 190)

O advogado de Josiane, Maurício Zampieri, afirma que o resultado já era aguardado e que não acredita que a decisão seja revertida. “A gente já aguardava isso há cinco anos, pelo histórico que o marido da Josiane tinha na Polícia Militar (PM) e na vida pregressa dele, com ingestão de bebida alcoólica e consumo de drogas, além dos boletins de ocorrência contra ele. O assistente de acusação deve recorrer, já que a família saiu revoltada, mas dentro dos parâmetros do processo e do julgamento é difícil o tribunal reverter a decisão”, disse ele que acredita também na recuperação da guarda do filho do casal para Josiane.

“Essa absolvição vai pesar na situação da guarda do filho dela. Já são cinco anos longe do filho por causa dessa situação”, afirmou Zampieri.

O advogado da família do PM, Edson Gonçalves, disse que irá apresentar recurso na justiça para tentar reverter a decisão.”Este caso não se tratava de violência doméstica, tendo em vista que o Carlos foi a vítima e não a Josiane, mas a defesa conseguiu passar para os jurados que ela estaria na condição de vítima. Por isso iremos apresentar um recurso no Tribunal de Justiça”, contou o advogado.

Gonçalves acredita que houve homicídio com a intenção de matar e conta que a família recebeu a decisão da pior forma possível. “Houve um crime de homicídio, com a intenção de matar e o jurado entendeu isso também, mas o desfecho foi em outro sentido e absolveram a Josiane em votação apertada. A família recebeu a decisão da pior maneira possível, porque você tem o poder judiciário autorizando que mulheres matem os seus maridos, foi dessa forma que foi recebida por eles”, afirmou o assistente de acusação.

O crime aconteceu na casa do casal, na Avenida Brasil, em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. O soldado ficou em estado grave e foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora do Rocio, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.