Douglas foi morto a tiros pelo vizinho após briga por causa de som alto. (Foto: Reprodução/Facebook)

 

O Ministério Público do Paraná (MPPR) quer que o médico legista que realizou o exame de necropsia no corpo do engenheiro Douglas Regis Junkes, morto a tiros após uma briga entre vizinhos, preste esclarecimentos sobre a trajetória dos projéteis que atingiram a vítima.

A manifestação servirá para embasar a decisão do MPPR sobre o pedido de exumação do corpo de Douglas, realizado pela defesa do empresário Antônio Humia Dorrio, acusado pela morte do engenheiro. No documento, o Ministério afirma que após os esclarecimentos poderá dizer se concorda ou não com a exumação.

No pedido, protocolado na última semana, a defesa de Antônio aponta “graves divergências” entre o laudo do local de morte, feito pelo Instituto de Criminalística, e o laudo de necropsia feito pelo Instituto Médico Legal. Entre os pontos destacados está a quantidade de disparos de arma de fogo efetuados.

Segundo a defesa, o Instituto de Criminalística diz que Douglas foi atingido por quatro disparos. Já para o Instituto Médico Legal, foram cinco tiros, sendo um deles na testa da vítima. “Não estamos tratando aqui de simples contradições que são naturais entre os laudos. Estamos falando de um médico legista do IML falando em cinco tiros enquanto o perito que esteve no local do crime fala em quatro disparos, conforme análise de local”, disse o advogado Adriano Bretas, que defende o empresário.

Para ele, a situação torna-se ainda mais grave quando o legista afirma que o suposto quinto disparo atingiu a testa da vítima. “Quando o médico legista apresenta esse quinto tiro atingindo a testa da vítima, a primeira ação é recorrer às fotos do corpo da vítima no local dos fatos. Não existe, não é visível, não se identifica o ferimento no local indicado, não há orifício de entrada da bala na testa. Se fosse o caso, certamente as fotos revelariam, mas não o fizeram”, completou.

O crime

Segundo o inquérito, o empresário tinha voltado de viagem e queria dormir no domingo à tarde, no dia 20 de maio do ano passado, no bairro Juvevê, em Curitiba. Ele teria ficado irritado com o som alto do vizinho debaixo, no 4ª andar. Foi tirar satisfações, já armado, ao que tudo indica. Os dois entraram em luta corporal e o empresário deu três tiros em Douglas. A vítima morreu na hora e o atirador fugiu de carro, pedindo socorro no Hospital Cajuru, por também ter ferimentos no braço.