O Ministério Público do Paraná solicitou a reconstituição do crime que atingiu a bebê Ana Valentina, de três anos, em Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em janeiro deste ano. Uma mulher identificada como Amanda foi presa, mas segundo as vítimas, ela não estava no momento do ataque.

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Veículo Celta onde a bebê Valentina estava no momento dos tiros. (Foto: Reprodução Ric RECORD).

O laudo da Polícia Científica, que conta com nove páginas, indica mais de cinco tiros e mostra novas imagens da cena do crime, com foco no veículo Celta, onde estava Adeiqson de Almeida, pai de Valentina. Fotos tiradas pela polícia apresentam sangue pelo carro e estragos mais visíveis.

Apesar de não ter um número exato, a perícia questiona quantos tiros foram disparados, além dos que estilhaçaram os vidros do veículo, e detalha duas marcas no volante e outra no console. No banco do motorista, aparece um tiro que passou pelo encosto de cabeça. As informações são da Ric RECORD.

No banco de trás, onde estava Valentina, um disparo acabou acertando o rosto da criança. A bebê ficou em coma e continua internada no hospital em fase de recuperação. Ainda não é possível entender se o mesmo tiro que atingiu a criança também quebrou o vidro e acertou o volante, mas segundo Adeiqson, foi ele mesmo quem quebrou o vidro de trás.

“Meu sogro saiu de dentro do carro e falou: ‘Mataram a Valentina’. Naquela hora, me desesperei. Não sabia se gritava, se chorava. Na hora do nervosismo, dei um murro no parabrisa traseiro porque ninguém queria socorrer minha filha. Aquela parte traseira, fui eu que quebrei”

relatou o pai da bebê.

Com perguntas sem respostas, o Ministério Público pediu a reconstituição da tocaia desde o momento em que Celta é perseguido até o momento exato dos disparos. Na ocasião, os atiradores teriam simulado um problema mecânico no veículo, circulando com o capô aberto pela região.

Versão de Amanda

Entretanto, diante da solicitação do Ministério Público, o novo advogado de Amanda, Rogério Nogueira, não permitiu a participação da cliente na reconstituição. Sem ela, a simulação precisou ser desmarcada.

“Amanda já foi até a delegacia colaborando com a Justiça, como ela sempre fez e sempre buscou colaborar. Já deu toda a versão dela sobre os fatos. A gente acredita que ela não tenha mais nada a acrescentar além do que ela já declarou. Como é uma prova requerida pelo Ministério Público, a defesa entende que não há necessidade, nesse momento, de reconstituição e muito menos a participação dela”

disse Rogério Nogueira.

Boa parte do que a investigação já sabe sobre o crime foi dito pela própria Amanda. Segundo ela, cinco tiros foram disparados contra o Celta. A intenção era matar Adeiqson, uma vingança pelo assalto, espancamento e morte do avô da suspeita.

“A moça confessou o crime com detalhes: onde comprou o revólver, quanto pagou, como ela fez para emboscar as pessoas que estavam naquele veículo, como ela voltou, como se desfez do carro. Esse está resolvido”

disse o delegado Bradock.

Segundo o depoimento de Amanda, o plano não era atingir Valentina. Ela afirmou não ter visto a criança dentro do carro e também garantiu que articulou e executou o crime inteiro sozinha. No entanto, a versão é contestada pelas vítimas, que afirmam abordagem por dois homens.

Nas imagens registradas por câmera de segurança, o movimento indica pelo menos duas pessoas no carro em que os disparos foram realizados. Mas, ainda assim, a versão de que foi tudo feito por Amanda está mantida.

“Não tem nada que prove o contrário. Ela tem o depoimento dela, assumiu que fez os disparos, como fez e porquê. Então, quanto a isso, a defesa continua na mesma linha sem nenhuma alteração nesse momento”.

explicou o advogado de Amanda.

Versão das vítimas

Segundo depoimento de Adeiqson, Amanda não estava no veículo no momento da abordagem e dos disparos. “Ela não estava no veículo. Quem eu vi que estavam no veículo eram dois homens no banco da frente“, relata.

Ele ainda reforça que o suspeito pelos tiros era um homem moreno, que estava usando um boné e tinha tatuagens no braço.Ela está mentindo e encobertando coisas que ela não fez. Não sei porquê“, disse Adeiqson.

Amanda está presa preventivamente, mas se a investigação policial não for concluída em breve, ela poderá ser libertada. Contra ela, não existe nem mesmo reconhecimento de crime.

Os três adultos que estavam no carro Celta negam que Amanda seja a atiradora. A arma que ela alegou ter comprado para cometer o crime não foi encontrada.